20/01/2026
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Esquerda brasileira condena ataque dos EUA e captura de Maduro

Esquerda brasileira condena ataque dos EUA
Foto: Agência Brasil

Além das críticas políticas, lideranças alertaram para os riscos diretos ao Brasil.

A captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro em uma operação militar conduzida pelos Estados Unidos provocou reação imediata e dura da esquerda brasileira. Lideranças políticas, parlamentares e intelectuais classificaram a ação como uma violação da soberania venezuelana e acusaram Washington de praticar imperialismo na América Latina.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi um dos primeiros a se manifestar, descrevendo a operação como uma “afronta gravíssima”. Em nota oficial, o Partido dos Trabalhadores (PT) afirmou que a captura configura um “sequestro” e condenou o que chamou de “agressão militar” contra um país soberano. A legenda ressaltou os riscos de instabilidade regional e defendeu a resolução de conflitos por vias diplomáticas.

Parlamentares da esquerda também reagiram. O deputado Guilherme Boulos (PSOL), a ministra Sônia Guajajara e deputados e senadores do PT repudiaram a ação norte-americana, destacando a necessidade de respeito à autodeterminação dos povos e alertando para possíveis consequências políticas e humanitárias na América Latina.

Críticos da operação afirmam que o interesse dos Estados Unidos não estaria ligado à defesa da democracia, mas sim aos recursos naturais da Venezuela, especialmente o petróleo. Para esses setores, a ofensiva resgata a lógica da Doutrina Monroe, política histórica de influência dos EUA sobre a região. A captura de um chefe de Estado em exercício, dentro de seu próprio país, foi descrita como um ato de dominação militar sem precedentes recentes no continente.

A condenação também expôs uma contradição recente na política externa brasileira. Poucas semanas antes, setores da esquerda e o próprio governo celebraram um acordo entre Lula e o presidente Donald Trump, que resultou na redução de tarifas sobre produtos brasileiros e na retirada de sanções contra o ministro Alexandre de Moraes. A nova crise diplomática, no entanto, coloca essa aproximação sob tensão.

Além das críticas políticas, lideranças alertaram para os riscos diretos ao Brasil. A extensa fronteira com a Venezuela e a possibilidade de uma escalada militar preocupam autoridades e analistas, que temem impactos como aumento do fluxo de refugiados, instabilidade regional e prejuízos econômicos.

Intelectuais de esquerda também se manifestaram, avaliando que a operação representa uma ruptura com a ordem internacional construída após a Segunda Guerra Mundial. O cientista político Christian Lynch afirmou que a ação sinaliza um cenário de “imperialismo explícito”, no qual recursos estratégicos da América Latina seriam tratados como reservas naturais dos Estados Unidos, com governos locais pressionados a se submeter a interesses externos.


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