Construtora é a sexta empresa chamada após série de desclassificações no processo licitatório.
O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) deu mais um passo no processo de contratação das obras de repavimentação de 36,5 quilômetros do chamado Trecho do Meio da BR-319, rodovia que conecta Manaus a Porto Velho. Nesta segunda-feira (15), a autarquia convocou a Construtora Soberana, empresa sediada na capital amazonense, para apresentar a documentação de habilitação exigida pelo edital.
O contrato possui valor estimado de R$ 210,6 milhões e integra os esforços de recuperação da principal ligação terrestre entre o Amazonas e o restante do país. A convocação ocorre após uma sequência de desclassificações de concorrentes durante a fase de análise documental.
Processo licitatório acumula desclassificações
Até o momento, cinco empresas já foram eliminadas da disputa. Segundo o pregoeiro responsável pelo certame, os motivos detalhados das inabilitações serão divulgados somente após a conclusão da etapa de julgamento.
A primeira empresa habilitada havia sido a LCM Construção e Comércio S.A., de Belo Horizonte (MG), que apresentou proposta no valor de R$ 144,3 milhões. A habilitação foi confirmada em 12 de maio, mas uma decisão favorável a recurso administrativo levou o DNIT a reabrir a fase de julgamento em 21 de maio.
Com a reanálise do processo, a autarquia convocou a segunda colocada, a Progressus Construção e Comércio, de Boa Vista (RR), que havia ofertado R$ 144,8 milhões. No entanto, a empresa não apresentou a documentação exigida dentro das condições previstas no edital.
A partir daí, o DNIT passou a convocar as demais classificadas na ordem de classificação. Também foram chamadas a Vitória Engenharia e Navegação Ltda., de Novo Aripuanã (AM), com proposta de R$ 147,4 milhões; a Construteq Construções e Serviços, de Brasília (DF), que ofertou R$ 157,8 milhões; e a Madecon Engenharia, de Porto Velho (RO), com proposta de R$ 158,015 milhões.
Madecon é inabilitada por não atender exigências técnicas
A mais recente desclassificação ocorreu nessa segunda-feira (15). Às 10h18, horário de Brasília, o pregoeiro informou oficialmente que a Madecon Engenharia não atendeu aos requisitos técnicos previstos no edital.
De acordo com comunicado divulgado durante a sessão, a documentação apresentada pela empresa foi submetida à análise da Coordenação de Engenharia Terrestre do DNIT. Após a avaliação técnica, foram identificadas inconsistências relacionadas às exigências de habilitação técnica.
Com a exclusão da empresa do certame, a Construtora Soberana passou a ocupar a posição seguinte na classificação e foi convocada para apresentar sua documentação.
A empresa amazonense apresentou proposta de R$ 158,036 milhões, valor próximo ao ofertado pela concorrente desclassificada.
Outras licitações da BR-319 também registram mudanças
A Madecon Engenharia também enfrentou desclassificação em outros dois processos licitatórios relacionados à BR-319. Os certames correspondem aos Lotes 1 e 2, conduzidos pelos Editais nº 90130/2026 e nº 90128/2026.
Com a eliminação da empresa nesses processos, o DNIT convocou a Construlagos Construtora e Empreendimentos, de Florianópolis (SC), quinta colocada em ambos os lotes, para apresentar a documentação necessária à habilitação.
No Lote 1, já haviam sido desclassificadas anteriormente as empresas VF Construtora e Serviço, de Porto Velho, e Vitória Engenharia e Navegação Ltda. Já no Lote 2, as empresas H L Montano Ltda., também de Porto Velho, e Vitória Engenharia e Navegação Ltda. foram consideradas inabilitadas.
As sucessivas mudanças demonstram a complexidade do processo licitatório e a rigorosidade das exigências técnicas e administrativas estabelecidas pelo DNIT para execução das obras.
BR-319 é considerada estratégica para a região Norte
A recuperação da BR-319 é apontada por lideranças políticas, representantes do setor produtivo e entidades empresariais como uma das principais obras de infraestrutura da Amazônia.
Defensores da modernização da rodovia argumentam que a pavimentação e recuperação dos trechos deteriorados podem reduzir custos logísticos, ampliar a competitividade econômica da região e facilitar o transporte de mercadorias entre Amazonas, Rondônia e outros estados brasileiros.
Além disso, a rodovia é vista como alternativa para diminuir o isolamento terrestre enfrentado pelo Amazonas, que atualmente depende fortemente do transporte fluvial e aéreo para o deslocamento de cargas e passageiros.
A expectativa é que a melhoria das condições da estrada fortaleça o abastecimento regional, impulsione investimentos e contribua para o desenvolvimento econômico da região Norte.
Obras seguem cercadas por debates ambientais
Apesar do apoio de setores políticos e empresariais, a repavimentação da BR-319 continua sendo alvo de debates envolvendo impactos ambientais.
Organizações ambientais e especialistas têm manifestado preocupação com possíveis efeitos da pavimentação sobre áreas sensíveis da Amazônia, especialmente em relação ao avanço do desmatamento e à ocupação desordenada ao longo do corredor rodoviário.
Nos últimos meses, os processos licitatórios relacionados à rodovia enfrentaram questionamentos judiciais que resultaram em períodos de suspensão e posterior retomada dos certames.
Após decisões favoráveis ao DNIT, a autarquia conseguiu dar continuidade às licitações e avançar nas etapas necessárias para contratação das empresas responsáveis pelas obras.
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