09/09/2026
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Mendonça revoga prisão de filho do ‘Careca do INSS’ e determina uso de tornozeleira

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Foto reprodução

Romeu Carvalho Antunes é apontado pela PF como sucessor do pai no esquema investigado pela Operação Sem Desconto.

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), revogou a prisão preventiva de Romeu Carvalho Antunes, filho do empresário conhecido como “Careca do INSS”, investigado pela Polícia Federal no esquema de fraudes envolvendo descontos irregulares em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

A decisão substituiu a prisão por monitoração eletrônica. Mendonça também proibiu Romeu de manter contato, direta ou indiretamente e por qualquer meio, com os demais investigados e com testemunhas da Operação Sem Desconto. Romeu havia sido preso em dezembro de 2025.

PF aponta Romeu como sucessor do pai

De acordo com a Polícia Federal, Romeu passou a exercer funções estratégicas na organização investigada depois que as investigações avançaram e aumentaram a pressão sobre o pai. Segundo os investigadores, ele teria assumido o papel de principal operador administrativo do grupo, além de atuar em operações de lavagem de dinheiro e na criação de novas empresas que substituiriam negócios já comprometidos pelas investigações.

A PF também afirmou que Romeu teria descumprido uma restrição judicial imposta ao pai ao funcionar como intermediário na comunicação de Antônio com outros investigados.

“Romeu dolosamente (de forma intencional) descumpria restrição judicial imposta ao pai, haja vista que servia de ponte para a comunicação entre Antônio e investigados”, afirmou a PF.

Entre as atividades atribuídas a Romeu pelos investigadores estão a movimentação de dinheiro em espécie retirado de cofres, participação em reuniões com notários nos Estados Unidos, abertura de novas empresas e organização de quadros de funcionários.

Filho do ‘Careca do INSS’ teria ampliado participação em empresas

Ainda segundo a PF, Romeu passou a integrar diretamente empresas ligadas ao pai.

Os investigadores apontam que ele se tornou sócio de pelo menos quatro empresas e participou indiretamente de outras três. Segundo a polícia, os negócios eram utilizados para movimentar recursos supostamente provenientes das fraudes e repassar valores a pessoas e entidades ligadas a servidores do INSS.

A PF também identificou uma evolução expressiva na renda de Romeu entre dezembro de 2023 e fevereiro de 2024.

Nesse intervalo, os ganhos mensais teriam passado de R$ 1,6 mil para R$ 107,6 mil, aumento de aproximadamente 63 vezes, segundo os investigadores.

A elevação ocorreu no mesmo período em que Romeu passou a integrar sociedades empresariais ligadas ao pai.

Mendonça também revogou outras prisões

A decisão envolvendo Romeu ocorre após o ministro André Mendonça determinar outras mudanças nas medidas cautelares de investigados na Operação Sem Desconto. Na terça-feira (8), Mendonça também revogou a prisão do ex-procurador-geral do INSS Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho, indiciado pela PF por suposto envolvimento no esquema.

Assim como Romeu, Virgílio passou a ser submetido a monitoração eletrônica e a outras restrições.

Entre as medidas estão a proibição de contato com outros investigados, o impedimento de acesso a entidades associativas e a instalações do INSS ou da Dataprev, além da proibição de deixar o país.

Ex-procurador recebeu R$ 11,9 milhões, segundo PF

Virgílio foi preso em novembro de 2025. Segundo a investigação da Polícia Federal, ele teria recebido R$ 11,9 milhões por meio de empresas e contas bancárias de sua esposa, em operações relacionadas a empresas investigadas por descontos irregulares em aposentadorias. Ao justificar a revogação da prisão, Mendonça afirmou que a medida não seria mais necessária diante do estágio atual das investigações.

Segundo o ministro, as novas restrições seriam suficientes para impedir que Virgílio retomasse as atividades investigadas, além de permitir o acompanhamento permanente por meio da tornozeleira eletrônica.

Ministro flexibiliza medidas de outros investigados

Em outras decisões relacionadas à Operação Sem Desconto, Mendonça também determinou a substituição da prisão preventiva por tornozeleira eletrônica de Samuel Bomfim Júnior, apontado como operador financeiro do esquema e contador da Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer).

O ministro ainda revogou o uso de tornozeleira eletrônica imposto a Pedro Corrêa Neto, ex-secretário de Agricultura; José Carlos Oliveira, ex-ministro da Previdência Social no governo Jair Bolsonaro; e Gilmar Stelo, advogado.

Segundo Mendonça, o avanço das investigações reduziu a necessidade de manutenção das restrições cautelares nesses casos. As acusações mencionadas são baseadas nas investigações da Polícia Federal e não representam, por si só, condenações definitivas dos investigados.

*Fonte ampost


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