André Ventura cobra medida semelhante à adotada pelos Estados Unidos e acusa governo português de subestimar a atuação das facções brasileiras em território europeu
Por: Redação MVE
O líder do partido português André Ventura voltou a elevar o tom contra o crime organizado internacional ao defender que Portugal classifique o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. A proposta foi apresentada neste domingo (7), por meio de um vídeo publicado nas redes sociais, no qual o político afirmou que as duas facções brasileiras representam uma ameaça crescente à segurança portuguesa.
A manifestação ocorre poucos dias após os Estados Unidos oficializarem a inclusão do PCC e do CV em sua lista de organizações terroristas estrangeiras, decisão que passou a produzir efeitos a partir deste mês. A medida norte-americana ampliou sanções financeiras e mecanismos de combate às organizações criminosas com atuação internacional.
Segundo Ventura, Portugal estaria permitindo que as facções ampliem sua influência no país por meio de atividades ligadas à lavagem de dinheiro, tráfico internacional de drogas e outros crimes transnacionais. O líder do partido Chega argumenta que o governo português tem tratado a questão com excessiva cautela e que o país deveria seguir o exemplo adotado pelos Estados Unidos.
Governo português rejeita equiparação ao terrorismo
A proposta, no entanto, encontra resistência dentro do próprio governo português. Durante participação no Fórum de Lisboa, o ministro da Segurança Interna de Portugal, Luís Neves, afirmou que não pretende seguir a mesma linha adotada por Washington.
Segundo o ministro, existe uma diferença conceitual entre organizações terroristas e grupos criminosos. Enquanto o terrorismo é normalmente associado a motivações ideológicas, religiosas ou políticas, facções como PCC e Comando Vermelho teriam como principal objetivo o lucro obtido por meio de atividades ilícitas. Por essa razão, o governo português entende que a legislação atual já permite combater essas organizações sem necessidade de classificá-las formalmente como terroristas.
Expansão internacional das facções preocupa autoridades
O debate ganhou força devido à crescente internacionalização das duas maiores facções criminosas do Brasil. Investigações conduzidas em diversos países apontam que PCC e Comando Vermelho ampliaram suas operações para além das fronteiras brasileiras, estabelecendo conexões com redes criminosas na América Latina, Europa e África.
O PCC, surgido nos presídios paulistas na década de 1990, é apontado por especialistas como a maior organização criminosa do Brasil, com ramificações em dezenas de países e atuação em rotas internacionais do narcotráfico. Já o Comando Vermelho mantém forte presença em comunidades do Rio de Janeiro e também possui conexões internacionais ligadas ao tráfico de drogas e armas.
Debate divide especialistas
A classificação de facções criminosas como organizações terroristas tem gerado discussões em vários países. Defensores da medida argumentam que ela amplia instrumentos jurídicos para bloqueio de recursos, cooperação internacional e combate às redes financeiras que sustentam essas organizações.
Por outro lado, especialistas alertam que a equiparação entre crime organizado e terrorismo pode gerar controvérsias jurídicas e diplomáticas, especialmente em países cuja legislação diferencia claramente atividades criminosas motivadas por lucro de ações terroristas motivadas por objetivos políticos ou ideológicos.
Tema ganha força na Europa
A proposta de André Ventura ocorre em um momento de crescimento do debate sobre segurança pública e imigração em Portugal. O partido Chega, principal legenda da direita portuguesa, tem ampliado sua atuação em pautas relacionadas ao combate ao crime organizado e à segurança das fronteiras.
Caso a proposta avance, Portugal poderá se juntar ao grupo de países que passaram a adotar uma abordagem mais rígida contra as facções brasileiras. No entanto, até o momento, o governo português mantém a posição de que PCC e Comando Vermelho devem continuar sendo tratados como organizações criminosas transnacionais, e não como grupos terroristas.
A discussão tende a ganhar novos capítulos nas próximas semanas, especialmente após a decisão norte-americana e o aumento da pressão política para que países europeus revisem suas estratégias de enfrentamento ao crime organizado internacional.
Descubra mais sobre Manaustime
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.
