Prefeitura, Defesa Civil do Amazonas, Marinha, Corpo de Bombeiros e outras instituições iniciam visitas às comunidades ribeirinhas para elaborar plano de contingência e minimizar impactos da vazante.
Por: Manuel Menezes
A Prefeitura de Humaitá e a Defesa Civil do Estado do Amazonas iniciaram uma ampla operação de monitoramento do Rio Madeira e de reconhecimento das comunidades ribeirinhas como parte da elaboração do Plano Municipal de Enfrentamento à Estiagem 2026. A ação busca antecipar medidas para reduzir os impactos de uma possível seca severa, especialmente sobre a população que depende do rio para transporte, abastecimento, pesca e acesso a serviços essenciais.
A iniciativa reúne equipes da Coordenadoria Municipal de Defesa Civil (COMDEC), das secretarias municipais de Meio Ambiente, Interior e Infraestrutura, além de representantes da Defesa Civil Estadual, que enviou ao município os técnicos Ian Aleff Pinheiro Dias e Angelane Pereira de Oliveira para coordenar os levantamentos de campo.
O trabalho também conta com o apoio da Marinha do Brasil, Corpo de Bombeiros Militar, Secretaria de Estado da Educação (SEDUC), Diocese de Humaitá e demais órgãos públicos e instituições parceiras, formando uma força-tarefa para construir um plano integrado de resposta caso a estiagem se intensifique.
Primeiras comunidades já recebem visitas técnicas
Na manhã desta quarta-feira (29), as equipes estiveram na Ilha do Tambaqui, localizada a montante do Rio Madeira, considerada uma das localidades mais vulneráveis durante o período de vazante.
A partir desta quinta-feira (30), o cronograma de visitas será ampliado para outras comunidades situadas ao longo do Rio Madeira até o Distrito de Auxiliadora, passando pelo Lago do Antônio, Lago do Acará e Lago Uruapeara.
O objetivo é identificar, ainda no início do período de estiagem, possíveis dificuldades relacionadas à navegação, abastecimento de água, transporte escolar, acesso à saúde, produção rural e segurança alimentar das famílias ribeirinhas.
Prefeito determina prioridade máxima ao plano de enfrentamento

Diante das previsões climáticas e da experiência vivida nos últimos anos, quando a seca histórica afetou milhares de famílias em todo o Amazonas, o prefeito Dedei Lobo determinou prioridade absoluta para a elaboração do plano de contingência.
Segundo a Prefeitura, toda a estrutura administrativa municipal foi colocada à disposição da equipe técnica, incluindo embarcações, combustível, logística e servidores das diversas secretarias para garantir que os levantamentos ocorram de forma rápida e eficiente.
A intenção é concluir o planejamento antes do período mais crítico da vazante, permitindo respostas mais ágeis caso seja necessária a adoção de medidas emergenciais.
Planejamento antecipado busca evitar impactos maiores
O monitoramento do Rio Madeira ocorre em um momento de atenção para toda a Amazônia. Órgãos técnicos acompanham a evolução do período hidrológico após projeções climáticas indicarem a possibilidade de influência do fenômeno El Niño durante o segundo semestre de 2026. O Serviço Geológico do Brasil (SGB) e as Defesas Civis têm reforçado o acompanhamento dos níveis dos rios para subsidiar ações preventivas dos municípios.
Embora o comportamento dos rios ainda esteja dentro do esperado para esta época do ano em grande parte da bacia amazônica, especialistas alertam que o monitoramento contínuo é fundamental para permitir respostas rápidas caso haja aceleração da vazante.
Lições deixadas pela seca histórica

A preocupação das autoridades também leva em consideração os impactos registrados durante a estiagem extrema de 2023, quando o Rio Madeira atingiu níveis críticos, comprometendo a navegação, o abastecimento de comunidades isoladas e o transporte de alimentos e medicamentos em diversos municípios do sul do Amazonas.
Desde então, a estratégia dos órgãos de Defesa Civil tem priorizado ações preventivas, com elaboração antecipada de planos operacionais, reconhecimento das áreas mais vulneráveis e integração entre os governos municipal e estadual para reduzir os efeitos sociais e econômicos da seca.
Trabalho integrado fortalece resposta do município
Além do levantamento técnico, as equipes deverão produzir relatórios sobre a situação de cada comunidade visitada, identificando as principais necessidades e definindo prioridades de atendimento caso o cenário de estiagem se agrave.
As informações servirão de base para ações como distribuição de água potável, apoio logístico às comunidades isoladas, manutenção do transporte escolar, assistência social, atendimento de saúde e preservação da navegabilidade nos principais trechos do Rio Madeira.
Com o início das visitas técnicas e a mobilização conjunta entre Prefeitura, Governo do Estado e instituições parceiras, Humaitá busca se antecipar aos desafios do período de seca, reforçando a estratégia de prevenção para proteger as comunidades ribeirinhas e minimizar os impactos da estiagem sobre a população.
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