01/10/2026
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Historico de pesquisas apontam a vitória de Flávio no primeiro turno

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Análise de dados de renda atualizado da PNAD aplicada a uma pesquisa eleitoral muda significativamente a fotografia do resultado das urnas.

A corrida presidencial de 2026 ganhou um novo elemento de discussão após uma análise que utilizou a distribuição de renda da PNAD como referência para reponderar os resultados de uma pesquisa eleitoral.

No levantamento original, divulgado em setembro, Lula aparece com 46% das intenções de voto contra 44% de Flávio em um eventual segundo turno. Na simulação de sensibilidade baseada na distribuição de renda observada na PNAD, porém, os números passam para 42,41% para Lula e 47,89% para Flávio. A diferença entre os dois cenários representa uma variação de aproximadamente 3,9 pontos para Flávio.

É importante destacar que esse cálculo não constitui uma nova pesquisa eleitoral, nem significa que a PNAD tenha medido intenção de voto. Trata-se de uma análise de sensibilidade: os dados socioeconômicos da PNAD são utilizados como referência para avaliar como uma mudança na ponderação da amostra poderia alterar o resultado de uma pesquisa.

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Imagem: Reprodução

O que a análise revela

A discussão é relevante porque pesquisas eleitorais dependem da composição da amostra e dos pesos atribuídos a diferentes grupos da população. Renda, escolaridade, idade, região e outros fatores podem produzir diferenças no resultado quando a distribuição da amostra não coincide com os parâmetros utilizados como referência.

Na análise publicada pela Arvor, a distribuição de renda efetivamente observada na pesquisa é comparada com a referência da PNAD. O estudo aponta que a faixa de renda de até dois salários mínimos representa 51,78% das bases com renda declarada, enquanto na referência utilizada da PNAD essa participação é de 35,19%. Como Lula apresenta desempenho superior nesse grupo, a alteração da ponderação produz impacto relevante no resultado agregado.

O próprio estudo, entretanto, ressalta que o exercício é uma análise de sensibilidade, e não uma previsão ou uma “correção” oficial da pesquisa.

E a tese de que as pesquisas subestimam o eleitorado de Bolsonaro?

O debate ganhou força também por causa de 2022. Na eleição presidencial daquele ano, as pesquisas da reta final colocavam Lula à frente de Jair Bolsonaro em proporção maior do que a observada no resultado oficial do primeiro turno.

O resultado efetivamente apurado pelo Tribunal Superior Eleitoral foi de 48,43% para Lula e 43,20% para Bolsonaro. Levantamentos divulgados na época chegaram a apresentar diferenças maiores, embora a magnitude do erro tenha variado de instituto para instituto. Uma análise retrospectiva publicada pelo UOL mostra que alguns institutos ficaram dentro da margem de erro para Lula e que a subestimação do desempenho de Bolsonaro também variou significativamente entre as pesquisas.

Esse histórico permite levantar uma hipótese que hoje é discutida no ambiente político: caso características semelhantes de participação eleitoral ou comportamento de determinados grupos voltem a ocorrer, pesquisas realizadas antes da eleição podem apresentar diferenças em relação ao resultado final.

Mas há uma distinção fundamental: um erro ocorrido em 2022 não demonstra, por si só, que as pesquisas de 2026 estejam subestimando Flávio Bolsonaro. Para estabelecer isso seria necessário comparar sistematicamente as pesquisas de 2026 com resultados eleitorais posteriormente conhecidos ou identificar, durante a campanha, evidências estatísticas consistentes de um viés.

As pesquisas mais recentes mostram uma disputa apertada

Os levantamentos divulgados no fim de setembro também mostram que a distância entre Lula e Flávio varia bastante de acordo com o instituto.

No primeiro turno, a pesquisa Meio/Ideia de 30 de setembro registrou Lula com 39,4% e Flávio com 38,4%. Na Atlas/Bloomberg, foram 45,3% e 42,2%, respectivamente. A Palver apontou 44% para cada um. Quaest, BTG/Nexus e RealTime Big Data apresentaram diferenças maiores, mas também registraram uma disputa competitiva.

No segundo turno, a dispersão também é significativa. A Atlas/Bloomberg mostrou Flávio com 47,7% contra 47,6% de Lula. A Palver registrou 47% para Flávio e 45% para Lula. Na RealTime Big Data, o placar foi de 45% a 44% para Flávio. Já BTG/Nexus apontou Lula com 46% contra 44% de Flávio, enquanto Meio/Ideia registrou 48,5% contra 48%.

A margem de erro desses levantamentos varia de acordo com a metodologia e o tamanho da amostra. Por isso, diferenças pequenas entre candidatos não devem ser interpretadas como vantagem estatisticamente consolidada.

O que seria necessário para confirmar uma eventual subestimação?

A hipótese de que Flávio esteja sendo sistematicamente subestimado exigiria mais evidências do que uma única reponderação.

Seria necessário observar, por exemplo, se diferentes institutos apresentam um padrão consistente de erro em relação a determinados segmentos do eleitorado; se há divergências persistentes entre pesquisas presenciais, telefônicas e on-line; e, posteriormente, comparar as estimativas com o resultado efetivamente apurado nas urnas.

Por enquanto, os dados disponíveis mostram uma disputa bastante competitiva, com diferenças relevantes entre metodologias e institutos. A análise baseada na PNAD acrescenta uma variável importante ao debate sobre a composição das amostras, mas não deve ser confundida com uma nova intenção de voto.

Assim, a afirmação de que Flávio estaria “pelo menos cinco pontos à frente” depende de uma hipótese adicional sobre como corrigir os resultados das pesquisas. Os dados publicados permitem discutir essa hipótese, mas não comprovam esse resultado como intenção de voto da população.


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