Dados do ensaio clínico STOMP indicam que o tecovirimat não acelerou a cicatrização das lesões; São Paulo lidera casos no Brasil em 2026.
Uma nova evidência científica coloca em xeque a utilidade do tecovirimat no combate direto à mpox. O ensaio clínico STOMP, cujos resultados foram divulgados pelo New England Journal of Medicine, avaliou 344 adultos com sintomas leves ou moderados provocados pelo clado II do vírus. Durante 14 dias, parte dos voluntários recebeu o antiviral e outra parte recebeu placebo, mas a diferença nos desfechos clínicos foi estatisticamente irrelevante.
A recuperação completa, marcada pela cicatrização das feridas na pele, ocorreu em 83% do grupo tratado com a droga, número quase idêntico aos 84% registrados no grupo de controle. Além disso, a escala de dor relatada pelos pacientes e o tempo de eliminação do vírus do organismo não apresentaram melhoras significativas com o uso do medicamento. Esses dados reforçam achados anteriores do estudo PALM007, realizado na República Democrática do Congo, que já havia apontado ineficácia semelhante contra o clado I da doença.
Panorama da mpox no Brasil em 2026
Enquanto a ciência busca alternativas terapêuticas eficazes, o monitoramento epidemiológico no Brasil revela uma distribuição geográfica desigual da doença. Das 149 notificações registradas entre casos confirmados e prováveis no início deste ano, o estado de São Paulo concentra 93 ocorrências, o que representa 66% do índice nacional. O Rio de Janeiro aparece na sequência, com 18 registros, seguido por Roraima, com 11 casos.
Apesar do volume de diagnósticos, o Ministério da Saúde ressalta que o Sistema Único de Saúde (SUS) mantém estrutura para acolhimento e diagnóstico, descartando, por ora, um cenário de crise sanitária. O comparativo anual mostra uma tendência de controle: em 2025, o país encerrou o período com 1.079 casos e dois óbitos; em 2026, até o momento, nenhuma morte por mpox foi confirmada em território brasileiro.
Lacunas na pesquisa e populações vulneráveis
Especialistas alertam que, embora o tecovirimat não tenha mostrado benefícios para adultos saudáveis com quadros leves, os estudos ainda não são conclusivos para grupos de alto risco. Pessoas imunocomprometidas, gestantes e crianças foram sub-representadas nas amostras das pesquisas STOMP e PALM007. Essa lacuna impede uma resposta definitiva sobre o uso do antiviral em pacientes que possuem maior chance de desenvolver complicações graves.
Atualmente, a gestão da mpox foca no suporte clínico e no isolamento para evitar a transmissão. Com o enfraquecimento das evidências favoráveis ao tecovirimat, a comunidade médica aguarda novas diretrizes que possam preencher o vazio deixado pela falta de um tratamento antiviral de eficácia comprovada para a rotina ambulatorial.
*Fonte ampost
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