Enquanto Wilson Lima tenta desconstruir adversários com discursos inflamados, Omar Aziz reafirma sua liderança política construída pelo diálogo, pela experiência e pelo compromisso com o Amazonas.
Por Manuel Menezes
A política costuma reservar momentos de ironia. E poucas cenas representam isso tão bem quanto ver Wilson Lima acusar Omar Aziz de ser um “coronel de barranco”. A frase pode até render manchetes, mas dificilmente resiste a uma análise séria da história recente do Amazonas.
Quem acompanhou os últimos anos da política amazonense sabe que autoridade não se mede pelo discurso, mas pela forma como o poder é exercido.
Ao subir ao palanque para atacar Omar Aziz, Wilson Lima tenta construir a imagem de alguém que combate práticas antigas da política. No entanto, o espelho devolve outra realidade.
Foi durante sua gestão que o Amazonas assistiu a um dos períodos mais traumáticos de sua história. A crise sanitária da pandemia expôs um sistema de saúde em colapso, levando Manaus às manchetes do mundo inteiro pela tragédia da falta de oxigênio. Mesmo que responsabilidades tenham sido compartilhadas entre diferentes esferas de governo, aquele episódio se tornou a marca mais profunda de sua administração e permanece vivo na memória da população.
Mas não é apenas isso.
Wilson Lima passou boa parte de seu governo consolidando um grupo político fortemente centralizado, ampliando sua influência sobre prefeitos, parlamentares e aliados. Construir maioria faz parte da democracia; transformar a política em um ambiente de confronto permanente e desqualificação dos adversários é outra história.
Por isso, causa estranheza vê-lo recorrer justamente ao termo “coronel de barranco” para atacar Omar Aziz.
Omar pode ser alvo de críticas, como qualquer liderança política de expressão. Porém, ninguém pode negar que sua trajetória foi construída no voto, no diálogo e na capacidade de formar alianças políticas em favor do Amazonas. Como governador e senador, participou de decisões importantes para o desenvolvimento do Estado, sempre mantendo protagonismo nas discussões nacionais que envolvem a Zona Franca de Manaus, a BR-319, investimentos federais e recursos para os municípios.
Enquanto Wilson aposta em frases de efeito para mobilizar sua militância, Omar continua ocupando espaço no debate sobre os grandes desafios do Amazonas. Há uma diferença clara entre fazer oposição com propostas e transformar adversários em inimigos.
O eleitor amazonense amadureceu.
Hoje, não basta levantar a voz ou criar um slogan de campanha. O povo conhece a história recente do Estado. Conhece quem esteve presente nos momentos decisivos e também quem governou durante uma das maiores crises já enfrentadas pelo Amazonas.
Quando Wilson Lima acusa Omar Aziz de representar um modelo político ultrapassado, acaba abrindo espaço para uma comparação inevitável entre duas trajetórias.
De um lado, um senador que mantém influência política construída ao longo de décadas, sustentada pelo voto popular e pela articulação institucional.
Do outro, um ex-governador que tenta reescrever sua própria história apostando na desqualificação de adversários, como se isso fosse suficiente para apagar os erros e controvérsias de sua gestão.
Na democracia, o eleitor é o verdadeiro juiz.
E talvez seja exatamente por isso que o discurso de Wilson Lima tenha produzido o efeito contrário ao desejado. Ao tentar colocar Omar Aziz diante do espelho, acabou permitindo que muitos amazonenses olhassem, antes de tudo, para o reflexo de sua própria trajetória.
O Amazonas precisa de uma campanha baseada em propostas, resultados e respeito ao eleitor — não em rótulos que, quando confrontados com os fatos, acabam revelando mais sobre quem os pronuncia do que sobre quem é acusado.
*fonte menezesvirtualeye
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