No Brasil, as campanhas eleitorais são bancadas com dinheiro público e você é quem determina a distribuição
Os votos que as urnas registrarem no próximo domingo, 4, também definem a distribuição do Fundo Especial de Financiamento de Campanha, o Fundão. Criado em 2018, o recurso garantiu R$ 5 bilhões para os partidos gastarem durante as Eleições de 2026. Basta existir para ter acesso a uma parte da verba, ainda que pequena. Mas nada supera o valor de uma grande bancada na Câmara.
Ter registro na Justiça Eleitoral garante R$ 3,3 milhões. É quase o dobro do faturamento médio do ano inteiro das empresas especializadas em serviços no Brasil. Ainda assim, não passa de um traço perto dos valores destinados às legendas mais ricas. Existem 30 partidos políticos no Brasil, cinco deles controlam R$ 2,8 bilhões (58%) do financiamento público das campanhas. A diferença acontece em razão da quantidade de parlamentares na Câmara e no Senado filiados a essas legendas, os principais critérios para o acesso ao dinheiro.
Quatro regras definem a distribuição do dinheiro. Por ordem de valor, a menor parcela é repartida igualmente entre todos os partidos, 2% de todo o dinheiro no Fundão. Como foram praticamente R$ 5 bilhões em 2026, a fatia a dividir ficou R$ 100 milhões, R$ 3,3 milhões para cada. Outros 15% são distribuídos de acordo com o número de senadores de cada partido.
Além disso, os partidos com ao menos um deputado federal repartem 35% do Fundão de modo proporcional, de acordo com a quantidade de votos recebidos pela legenda para a Câmara na eleição anterior. E os 48% restantes são divididos segundo o tamanho da bancada na Casa.
No fim das contas, 83% da verba do fundo sofre influência direta da votação nos deputados federais, seja por meio do partido ou do parlamentar. No caso da cota da legenda, quanto maior a votação do candidato, mais dinheiro ele vale para a próxima eleição.
Cada deputado representa, no mínimo, R$ 4,6 milhões para o partido, mas esse valor aumenta substancialmente quando o parlamentar é muito popular. Em 2022, por exemplo, o mineiro Nikolas Ferreira foi o deputado federal eleito com a maior votação no Brasil. Ele conquistou 1,4 milhão de votos, o que rendeu ao partido outras seis cadeiras na Câmara. Somando o valor recebido por voto e pelos assentos, ele rendeu quase R$ 56 milhões em verbas do Fundão para o PL, partido ao qual é filiado desde a última eleição.
Não por acaso, os dois partidos com as maiores bancadas na Câmara têm conseguido mais recursos do Fundão. O PL de Nikolas lidera esse ranking com R$ 881 milhões — a mesma legenda de Flávio Bolsonaro. O segundo lugar é do PT (R$ 615 milhões). E os outros que fazem parte do grupo no controle de mais de 50% da verba são União Brasil (R$ 526 milhões), PSD (R$ 421 milhões) e PP (R$ 417 milhões).
*Fonte revistaoeste
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