Na manhã desta sexta-feira (12/6), o estacionamento da Arena Amadeu Teixeira foi mais uma vez o epicentro de uma forte mobilização da segurança pública amazonense. Policiais e bombeiros militares, tanto da ativa quanto da reserva, reuniram-se em uma grande assembleia geral para reivindicar a regularização de direitos trabalhistas, o pagamento de datas-bases atrasadas e melhores condições estruturais para a categoria.
O local escolhido carrega um peso histórico para os militares: foi dali que, em 2014, a categoria deflagrou uma greve que resultou em conquistas significativas, como a lei de promoções e os auxílios de fardamento e alimentação. Hoje, no entanto, o sentimento geral é de que esses avanços foram desconstruídos ao longo dos últimos sete anos.
O Fardo de Gestões Passadas e o Apelo ao Atual Governo
As lideranças do movimento, representadas por figuras como Gutemberg e o Presidente Gerson, foram categóricas em responsabilizar a gestão do ex-governador Wilson Lima pela deterioração da carreira militar no estado. Segundo eles, o governo anterior promoveu um “retrocesso gigantesco”, culminando na queda do quadro especial (artigo 7º da lei 4044), o que inviabilizou o fluxo natural de promoções desde abril de 2022.
Atualmente, a pressão recai sobre o atual governo de Roberto Cidade. Uma reunião preliminar entre representantes da categoria e o Estado ocorreu na quinta-feira, mas a proposta governamental, restrita à regularização do auxílio-fardamento, foi rejeitada de imediato.
“O policial está lutando por sobrevivência. Ele não tá pedindo direitos novos. Ele tá pedindo pelo menos para ter resgatados os direitos que ele tinha. Pelo menos pra receber a data-base, que não é aumento salarial, é só a recomposição do valor que a inflação corroeu”, disse Gutemberg, representante do movimento.
A Contraproposta da Categoria
Durante a assembleia, que contou com um expressivo número de agentes de segurança posicionados em frente a um caminhão de som azul, as lideranças apresentaram a contraproposta que será levada novamente ao Executivo Estadual. Os principais pontos exigidos são:
- Destinação de Excedente: Utilização de um excesso de arrecadação estimado em R$ 37 milhões para viabilizar mais de 2.000 promoções represadas.
- Datas-Bases Atrasadas: Pagamento imediato da data-base referente a 2021. A categoria alega que o salário do policial militar acumula uma defasagem de mais de 21,14% em seu poder de compra.
- Auxílio-Fardamento: Aprovação da lei do auxílio-fardamento com início de pagamento a partir de janeiro do próximo ano, priorizando, no momento atual, as promoções e a reposição salarial.
- Auxílio-Alimentação: Aumento do repasse para alimentação. Atualmente, os policiais recebem cerca de R$ 600 mensais para custear em média 30 refeições (café, almoço e jantar durante os dias de plantão), valor considerado impraticável pelos agentes.
“Mais Velha Que Tuas Promessas”
A indignação da tropa ficou evidente não apenas nos discursos, mas também nas manifestações visuais. Profissionais de segurança relatam a humilhação de terem que comprar os próprios uniformes para não patrulharem as ruas com roupas e coturnos rasgados.
Em frente à multidão, dois manifestantes seguravam uma faixa que resumia o sentimento de abandono da corporação. Em letras garrafais vermelhas, a mensagem era direta: “MAIS VELHA QUE TUAS PROMESSAS, SÓ A MINHA FARDA !!”

Próximos Passos
Os líderes do movimento frisaram que as forças de segurança continuam trabalhando de forma produtiva — citando apreensões de drogas na Base Arpão e o trabalho diário nas ruas —, mas alertaram que os policiais estão desmotivados e trabalhando no limite.
A categoria aguarda agora um novo posicionamento do governador Roberto Cidade. Caso a contraproposta não seja aceita, os manifestantes decidirão os rumos da mobilização, que pode incluir uma carreata em protesto rumo à Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (ALEAM).

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