Investigação aponta uso de aeronaves, pistas clandestinas e empresas de fachada para abastecer esquema criminoso na Amazônia.
A Polícia Federal revelou detalhes dos bastidores da estrutura usada por organizações criminosas para manter o garimpo ilegal em Roraima. As investigações apontam que os grupos criminosos utilizavam aeronaves, pistas clandestinas, combustíveis armazenados irregularmente e empresas de fachada para movimentar milhões de reais com a exploração ilegal de minério na região amazônica.
Segundo as apurações, o esquema operava principalmente em áreas isoladas e de difícil acesso, utilizando logística aérea para transportar equipamentos, combustível e mantimentos até os garimpos clandestinos. Em uma das operações recentes da PF, agentes localizaram uma pista clandestina utilizada para apoio direto à atividade ilegal. No local, foram apreendidos veículos, rádios comunicadores, binóculos e uma aeronave com indícios de adulteração. Ao todo, 16 pessoas foram presas em flagrante.
As investigações também revelaram um sofisticado esquema financeiro para “esquentar” minério extraído ilegalmente. De acordo com a PF, organizações criminosas utilizavam permissões fraudulentas de lavra garimpeira, emissão de notas fiscais falsas e empresas de fachada para inserir cassiterita extraída clandestinamente no mercado formal. O volume movimentado pelo grupo investigado pode ultrapassar R$ 400 milhões.
Estrutura criminosa avançou sobre áreas protegidas
As autoridades apontam que o garimpo ilegal se consolidou como uma estrutura criminosa complexa na Amazônia, envolvendo lavagem de dinheiro, logística interestadual e até conexões internacionais. Relatórios do Ministério Público Federal indicam que o avanço do garimpo ilegal está ligado à degradação ambiental, invasões de territórios indígenas e fortalecimento de organizações criminosas.
Em outra frente de combate, a Polícia Federal já havia realizado operações para desarticular grupos suspeitos de fornecer armas, munições e apoio logístico aos garimpos clandestinos em Roraima. As investigações também identificaram rotas ilegais de comercialização de ouro e minério envolvendo estados da região Norte e até países vizinhos, como a Venezuela.
As operações seguem em andamento e novas fases não estão descartadas. A PF afirma que o objetivo é interromper completamente a estrutura financeira e logística usada pelas organizações criminosas para manter o garimpo ilegal ativo na Amazônia.
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