Investigação mira supostas irregularidades na gestão do banco e apura possíveis crimes contra o Sistema Financeiro Nacional
Por: Redação MVE
A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta terça-feira (23), a Operação Miragem para desarticular um suposto esquema fraudulento voltado à prática de crimes contra o Sistema Financeiro Nacional no âmbito da gestão do Banco Digimais, instituição financeira controlada pelo bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD).
A operação ocorre em meio a um cenário já marcado por outras investigações e suspeitas envolvendo a instituição, que vem sendo monitorada por órgãos de controle e pelo mercado financeiro devido a possíveis inconsistências contábeis e operações consideradas de alto risco.
Segundo apurações anteriores, o Banco Digimais já havia sido citado em relatórios e reportagens por supostas manobras envolvendo carteiras de crédito e fundos de investimento utilizados para reorganizar balanços e reduzir a exposição de perdas financeiras. Em um dos casos investigados, há suspeitas de que a instituição teria omitido cerca de R$ 480 milhões em créditos inadimplentes por meio de estruturas financeiras internas.
A nova fase da atuação da Polícia Federal amplia o foco sobre a governança e a conformidade regulatória da instituição, reforçando a suspeita de que práticas internas possam ter sido utilizadas para mascarar a real situação financeira do banco.
PF apura possível esquema no sistema financeiro
De acordo com informações preliminares, a Operação Miragem busca reunir documentos, contratos e registros eletrônicos que possam esclarecer a eventual participação de executivos e gestores em operações consideradas irregulares. O objetivo é identificar se houve fraude contábil, gestão temerária ou outras práticas que possam ter causado prejuízo ao sistema financeiro ou a investidores.
A investigação também ocorre em um contexto de crescente atenção sobre instituições financeiras de menor porte que operam com carteiras de crédito mais arriscadas e estruturas complexas de fundos de investimento.
Banco já vinha sendo monitorado por suspeitas anteriores
O Banco Digimais, antigo Banco Renner, passou a ser controlado por Edir Macedo e ganhou relevância no mercado de crédito consignado e financiamento de veículos. Nos últimos anos, no entanto, passou a ser alvo de questionamentos sobre sua saúde financeira e práticas de gestão.
Relatórios de mercado indicam que o banco teria enfrentado dificuldades relevantes, com exposição elevada a ativos problemáticos e operações sob questionamento por auditores e analistas do setor financeiro.
Em meio a esse cenário, o Banco Central também passou a acompanhar com mais rigor movimentações societárias e tentativas de reestruturação da instituição, diante de preocupações com riscos sistêmicos.
Repercussão e próximos passos
A deflagração da Operação Miragem deve ampliar a pressão sobre a instituição e seus gestores, além de abrir uma nova frente de investigação sobre possíveis crimes financeiros.
A Polícia Federal ainda não detalhou o número de mandados cumpridos nem os alvos específicos da operação, que segue sob sigilo em parte das diligências.
O caso deve ter desdobramentos nos próximos dias, com possível aprofundamento das investigações e análise de documentos apreendidos durante a ação.
Enquanto isso, o Banco Digimais e seus representantes ainda não se pronunciaram oficialmente sobre a operação até o fechamento desta edição.
*Fonte menezesvirtualeye
Descubra mais sobre Manaustime
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.
