A Polícia Federal identificou possíveis conexões entre um cartel de postos no Rio de Janeiro e empresas investigadas por supostos vínculos com o Primeiro Comando da Capital (PCC). As descobertas surgiram durante a oitava fase da Operação Unha e Carne, que investiga lavagem de dinheiro no setor de combustíveis. Além disso, os investigadores encontraram movimentações financeiras que relacionam o grupo a empresas citadas na Operação Carbono Oculto.
Cartel de postos no Rio teria movimentado milhões
Um dos principais alvos da investigação é a ADM OIL Prestadora de Serviços. Apesar de possuir capital social de apenas R$ 10 mil, a empresa movimentou mais de R$ 45 milhões, segundo a PF. Além disso, a companhia teria funcionado como uma central de distribuição financeira. Dessa forma, recebia recursos de postos de combustíveis e transferia valores para pessoas e empresas associadas ao grupo investigado. A estrutura chamou a atenção dos agentes pela diferença entre o capital declarado e o volume movimentado.
Funcionária teria movimentado R$ 169,4 milhões
A investigação também identificou movimentações atribuídas a Fernanda Rangel Pereira da Silva. Em 2020, a ADM OIL contratou a mulher como auxiliar de escritório, inicialmente com salário de R$ 2 mil. Entretanto, segundo a PF, ela realizou depósitos que somaram R$ 169,4 milhões. Parte dos recursos teria seguido para a Tobras Distribuidora de Combustíveis, empresa investigada na Operação Carbono Oculto. Por isso, os investigadores analisam a possível participação de Fernanda na movimentação financeira do esquema.
Fintech BK Bank aparece em investigação sobre o PCC
Outro ponto investigado envolve a fintech BK Bank, citada nas apurações sobre movimentações financeiras suspeitas. Segundo os investigadores, a instituição utilizava mecanismos conhecidos como “contas bolsão”, que reuniam recursos de diferentes clientes. Esse sistema poderia dificultar a identificação da origem e do destino do dinheiro. Além disso, relatórios apontaram aproximadamente R$ 17,7 bilhões em créditos e outros R$ 17,7 bilhões em débitos considerados atípicos, envolvendo empresas associadas ao PCC.
Rede de combustíveis teria movimentado bilhões
Em outra frente da apuração, a PF identificou uma rede de postos que teria movimentado mais de R$ 54 bilhões. Entretanto, segundo os relatórios divulgados pela imprensa, o grupo declarou ao Fisco valores em tributos equivalentes a apenas 0,17% desse montante. A suspeita é que empresas tenham utilizado operações comerciais para ocultar recursos de origem ilícita. Além disso, a oitava fase da Operação Unha e Carne apura uma organização que movimentou mais de R$ 7,6 bilhões entre 2020 e 2026. A ação foi detalhada pela Polícia Federal.
Polícia Federal apura conexões entre empresas e PCC
Por fim, a investigação sobre o cartel de postos no Rio continua analisando transferências bancárias, documentos e relações empresariais. Segundo reportagem da VEJA, a PF identificou repasses envolvendo empresas investigadas nas duas operações. Entretanto, as suspeitas ainda não representam condenação dos envolvidos. Representantes de empresas citadas não responderam aos pedidos de manifestação registrados nas reportagens.
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