Estratégia prevê reforço do SUS, equipes de saúde, atendimento fluvial e resposta rápida a doenças durante o período mais crítico do El Niño.
O Ministério da Saúde prepara um plano de preparação e resposta para os impactos do fenômeno El Niño 2026-2027, com atenção especial à Região Norte e à Amazônia. A previsão de seca, estiagem e aumento das queimadas preocupa autoridades pelos possíveis efeitos sobre a saúde da população e pelas dificuldades de atendimento em comunidades de difícil acesso.
Segundo as informações divulgadas pelo ministério, o período considerado mais crítico deve ocorrer entre outubro de 2026 e março de 2027. O El Niño está classificado como forte e existe possibilidade de avanço para a categoria muito forte em setembro.
Atendimento de saúde será reforçado em áreas isoladas
Na Amazônia, uma das principais preocupações é garantir atendimento às comunidades que podem ficar ainda mais isoladas durante a redução do nível dos rios.
O planejamento prevê o reforço da rede de atenção à saúde, com ampliação da atuação de equipes e utilização de Unidades Básicas de Saúde Fluviais, estrutura considerada estratégica para alcançar populações ribeirinhas e localidades de difícil acesso.
Força Nacional do SUS poderá atuar em até 48 horas
Entre as medidas previstas está a mobilização da Força Nacional do SUS, com equipes preparadas para serem deslocadas para regiões afetadas em até 48 horas.
O plano também prevê salas de situação para acompanhar as condições climáticas e os impactos dos eventos extremos sobre a saúde, além da disponibilização de kits emergenciais e medicamentos para localidades atingidas.
Seca e queimadas aumentam riscos à saúde
Além dos problemas relacionados ao acesso aos serviços de saúde, o cenário climático pode aumentar a exposição da população à fumaça das queimadas, ao calor intenso e à escassez de água.
O Ministério da Saúde também considera a possibilidade de surgimento ou agravamento de surtos de doenças, incluindo arboviroses, o que exige monitoramento epidemiológico e capacidade de resposta rápida.
Amazonas já adota medidas preventivas
No Amazonas, o governo estadual declarou, em junho, Estado de Emergência Climática e Ambiental, em caráter preventivo, diante das projeções relacionadas ao El Niño 2026/2027. O decreto prevê ações de monitoramento, prevenção, preparação e mitigação dos impactos da estiagem, seca, incêndios florestais e redução da disponibilidade hídrica.
A medida também determina que a Secretaria de Estado de Saúde e a Fundação de Vigilância em Saúde monitorem os impactos das condições climáticas adversas, especialmente relacionados a ondas de calor, escassez hídrica, qualidade do ar e doenças sensíveis às variações climáticas.
Período de maior atenção começa em outubro
A preparação antecipada busca reduzir os impactos sobre a população antes do período considerado de maior risco. Para a Amazônia, a combinação entre estiagem, queimadas, redução dos níveis dos rios e dificuldades logísticas pode exigir uma atuação integrada entre União, Estado e municípios.
O planejamento federal deverá concentrar esforços no monitoramento dos riscos, reforço da assistência e capacidade de deslocamento de equipes para áreas afetadas durante a possível intensificação dos efeitos do El Niño.
Descubra mais sobre Manaustime
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.
