Decisão da Justiça Federal determina adoção imediata de medidas de segurança após ação movida pela AGU.
A Justiça Federal determinou que o Discord adote imediatamente uma série de medidas para ampliar a proteção de crianças, adolescentes e mulheres no ambiente digital. Em caso de descumprimento, a plataforma poderá ser multada em R$ 100 mil por dia.
A decisão é do juiz Anderson Silva, da 14ª Vara Federal Cível de Brasília, e atende a um pedido da Advocacia-Geral da União (AGU), que entrou com uma ação civil pública contra a plataforma em agosto.
Segundo a AGU, o Discord apresenta falhas em mecanismos de verificação de idade e na proteção dos usuários contra riscos como aliciamento, automutilação, suicídio e sextorsão. A ação também está relacionada ao caso de uma adolescente de 13 anos que morreu em julho.
Discord contestou responsabilidade
Durante o processo, o Discord negou responsabilidade direta pela morte da adolescente e argumentou que a transmissão do ato fatal ocorreu em outra plataforma.
O juiz, porém, considerou que elementos da investigação apontam para a utilização de recursos do Discord em etapas anteriores ao episódio e para a exposição de menores a ambientes relacionados a ameaças, coação, aliciamento, automutilação e outras práticas graves.
O magistrado concluiu haver risco concreto suficiente para justificar a adoção de medidas preventivas.
Veja as medidas determinadas pela Justiça
Entre as obrigações impostas ao Discord estão:
- impedir a recriação de servidores, canais e comunidades removidos;
- preservar por pelo menos seis meses registros relacionados aos fatos investigados;
- criar protocolo específico para casos de sextorsão envolvendo crianças e adolescentes;
- reforçar mecanismos de moderação de conteúdos envolvendo violência e crueldade;
- manter capacidade operacional em língua portuguesa para segurança e recebimento de denúncias;
- comprovar como funciona a verificação de idade;
- adotar medidas para vincular usuários menores de 16 anos aos responsáveis legais;
- comprovar a existência e eficácia de supervisão parental e controles de privacidade;
- apresentar avaliação de impacto sobre a segurança e saúde de crianças;
- impedir convites utilizados para reconstruir comunidades removidas;
- preservar e comunicar às autoridades conteúdos relacionados a automutilação, suicídio e violência grave, quando identificados;
- manter representante legal no Brasil e canal de denúncias em português;
- remover republicações tecnicamente idênticas de materiais de incentivo após notificação válida.
A decisão ocorre após outras medidas adotadas contra o Discord. Em agosto, a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) determinou a suspensão da funcionalidade de transmissões ao vivo da plataforma no Brasil até que fossem comprovadas medidas adequadas de proteção a crianças e adolescentes.
Descubra mais sobre Manaustime
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.
