01/07/2026
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Juíza manda soltar maníaco que matou ao menos 9 mulheres

Juíza manda soltar maníaco
Foto reprodução

Adaylton Nascimento Neiva, de 47 anos, nacionalmente conhecido como o “Maníaco do Novo Gama”, obteve o benefício da desinternação condicional concedido pela Justiça do Distrito Federal. Após confessar a execução de pelo menos nove mulheres, ele deixará a Ala de Tratamento Psiquiátrico (ATP) sob regras rigorosas e passará a viver com uma mulher com quem formalizou união estável durante o período em que esteve internado.

A decisão foi proferida pela juíza Leila Cury, da Vara de Execuções Penais (VEP), no último dia 19 de junho. A magistrada justificou a medida apontando uma melhora no quadro de saúde mental de Adaylton. Segundo ela, a condição atual do paciente “não demanda a continuidade do tratamento em regime de internação” e não justifica sua exclusão da sociedade por tempo indeterminado.

As Condições da Liberdade

Para se manter fora da internação, Adaylton precisará cumprir uma série de determinações judiciais. Qualquer descumprimento ou conflito deverá ser imediatamente reportado à Seção Psicossocial.

Entre as principais restrições impostas estão:

  • Toque de recolher e restrição de área: Ele está proibido de deixar o Distrito Federal e deve estar em casa todos os dias até as 22h (com exceção para casos de força maior, trabalho ou estudo).
  • Locais proibidos: É terminantemente vedada a sua presença em bares, prostíbulos e casas de jogos.
  • Vícios e armas: Está proibido o consumo de bebidas alcoólicas e drogas ilícitas, bem como o porte de qualquer tipo de arma ou instrumento que ofereça risco.
  • Saúde Mental: Adaylton deve manter seu tratamento psiquiátrico atualizado e apresentar relatórios médicos mensalmente à Justiça.
  • Ressocialização: Ele precisa comprovar o exercício de uma ocupação lícita e assumir o compromisso de viver em harmonia com sua família e a comunidade. Além disso, deverá manter endereço e telefone sempre atualizados.

Histórico de Crimes e Perfil Psicológico

Nos anos 2000, Adaylton espalhou terror no Entorno do DF (Sobradinho, Santa Maria e Novo Gama). Ele foi condenado a 54 anos e 6 meses de prisão por homicídios qualificados, estupros e aborto provocado por terceiro.

A brutalidade de seus crimes chocou o país. Entre as vítimas fatais estavam a sua própria companheira, que estava grávida, e a enteada de apenas 5 anos — ambas enterradas no quintal da residência em que viviam. Outra vítima conhecida foi a adolescente Alessandra Rodrigues, de 14 anos, cujo corpo foi ocultado em um matagal.

O Diagnóstico

As idas e vindas de Adaylton no sistema prisional começaram em abril de 2000. Em 2011, ele foi transferido para a Ala de Tratamento Psiquiátrico da Penitenciária Feminina (Colmeia) no DF para cumprir medida de segurança.

Na época, um laudo do Instituto Médico Legal (IML) o diagnosticou com Transtorno de Personalidade Antissocial (psicopatia). Os peritos destacaram traços profundos de:

  • Manipulação e dissimulação;
  • Falta de empatia pelo sofrimento das vítimas;
  • Ausência de arrependimento real.

Apesar do perfil traçado pelos peritos há mais de uma década, relatórios recentes indicam que Adaylton apresentou bom comportamento nos últimos anos, chegando a atuar como cantineiro na unidade prisional. Agora, sua ressocialização será testada fora das grades, sob a vigilância de familiares e acompanhamento do serviço social do TJDFT.


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