05/06/2026
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Inteligência artificial da CGU ajuda a identificar indícios de superfaturamento em obra da BR-319

Inteligência artificial da CGU
Foto: Agência Brasil

Relatório da Controladoria-Geral da União identificou indícios de irregularidades em custos e orçamentos relacionados às obras da rodovia que liga Manaus a Porto Velho.

A Controladoria-Geral da União (CGU), por meio da inteligência artificial Analisador de Licitações, Contratos e Editais (ALICE), apontou possíveis irregularidades em contratos vinculados às obras da BR-319, rodovia que conecta Manaus a Porto Velho. De acordo com a auditoria, os indícios de superfaturamento podem chegar a cerca de R$ 12 milhões, em razão de falhas identificadas nos custos e nos critérios adotados para elaboração dos orçamentos das obras.

O caso foi destaque nessa quinta-feira (4) em reportagem no Jornal Hoje, da TV Globo.

Criado para fiscalizar licitações públicas, o robô analisa contratos em três etapas: coleta de dados, cruzamento automático de preços e informações técnicas, e emissão de alertas para auditorias quando encontra indícios de irregularidades.

Rodovia é alvo de debates há décadas

Considerada uma das principais vias de integração terrestre do Amazonas com o restante do país, a BR-319 está frequentemente no centro de discussões envolvendo desenvolvimento econômico, questões ambientais e aplicação de recursos públicos.

Defensores da reconstrução da estrada argumentam que a rodovia é fundamental para reduzir os custos logísticos, fortalecer o abastecimento e ampliar a integração regional. Por outro lado, entidades ambientais e órgãos de fiscalização alertam para os impactos ambientais e para a necessidade de rigor na execução dos contratos.

Histórico de apontamentos em contratos

Os novos indícios levantados pela CGU se somam a outros episódios envolvendo a fiscalização de obras na BR-319.

Em 2019, o Tribunal de Contas da União (TCU) manteve a condenação da Construtora Gautama por superfaturamento em um contrato relacionado à rodovia e determinou a devolução de R$ 8,1 milhões aos cofres públicos, além da aplicação de multa à empresa.

O histórico reforça a atenção dos órgãos de controle sobre os investimentos realizados na estrada.

Tema segue no centro do debate político

A divulgação da auditoria ocorre em meio à mobilização política em defesa da pavimentação da BR-319. Entre os principais apoiadores da obra estão lideranças da bancada amazonense no Congresso Nacional, que defendem a conclusão da rodovia como prioridade para o desenvolvimento do estado.

Ao mesmo tempo, os apontamentos da CGU aumentam a pressão por mais transparência, fiscalização e controle sobre os recursos federais destinados à recuperação da estrada.

Com a proximidade das eleições de 2026, a BR-319 deve continuar ocupando espaço relevante nos debates sobre infraestrutura e desenvolvimento regional no Amazonas.


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