20/07/2026
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Idoso de 65 anos é resgatado de trabalho escravo após 8 anos em fazenda no Pará

trabalho escravo
Foto reprodução

Vítima cuidava de propriedade em unidade de conservação federal e bebia água com barro guardada em galões de óleo; acesso ao local exigiu uso de helicóptero da PF.

Um homem de 65 anos foi resgatado por uma força-tarefa após passar quase oito anos vivendo em condições análogas à escravidão em uma propriedade localizada na Estação Ecológica Terra do Meio, unidade de conservação federal situada no município de Altamira, no sudoeste do Pará.

A operação foi realizada no último dia 14 de julho e contou com a participação da Auditoria-Fiscal do Trabalho, Polícia Federal (PF), Ministério Público do Trabalho (MPT) e Defensoria Pública da União (DPU).

Trabalhador vivia completamente isolado

Segundo a fiscalização, o idoso permanecia sozinho na propriedade desde novembro de 2018.

Ele era responsável por diversas atividades, como vigilância da fazenda, manutenção de uma pista de pouso, manejo de animais e cultivo de alimentos para a própria sobrevivência.

Devido ao isolamento da região, o resgate só foi possível com o uso de um helicóptero da Polícia Federal, após cerca de duas horas de voo a partir de Altamira.

Água imprópria e alimentação insuficiente

Os auditores encontraram o trabalhador vivendo em condições consideradas degradantes.

Sem acesso à água potável, ele consumia água retirada do Rio Pardo, armazenada em antigos galões de óleo lubrificante, aguardando a decantação da sujeira antes de beber.

A alimentação também era extremamente limitada. Segundo o relato da vítima, durante anos ele não recebeu carne bovina ou de frango e sobrevivia principalmente de peixes que pescava e alimentos cultivados por ele mesmo.

Em 2025, conforme a investigação, o idoso passou cerca de três meses sem receber mantimentos do empregador.

Barraco precário e riscos constantes

O trabalhador morava em um barraco de madeira com estrutura deteriorada, infiltrações, chão de terra e banheiro inutilizado.

Para tomar banho, precisava entrar no rio, onde relatou ter sido atingido por arraias. Ele também informou que sofreu duas picadas de jararaca durante o período em que permaneceu na propriedade.

Além disso, contou que passava noites acordado tentando afastar morcegos que atacavam os animais da fazenda.

Sem contato com a família

Outro fator que chamou a atenção da fiscalização foi o isolamento social da vítima.

Segundo os investigadores, o idoso chegou a permanecer cerca de três anos sem qualquer contato com familiares.

Em uma ocasião, ao sentir fortes dores nos rins, caminhou aproximadamente 27 quilômetros por mata fechada durante um dia e meio para conseguir ajuda.

A força-tarefa também constatou que ele possui deficiência auditiva severa, problemas de visão e é analfabeto.

Direitos garantidos após o resgate

Após ser retirado da propriedade, o trabalhador recebeu atendimento médico, teve documentos pessoais regularizados e foi incluído em programas de assistência social.

Também foi firmado um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) garantindo o pagamento das verbas trabalhistas, indenização por danos morais e acesso ao seguro-desemprego.

Segundo os órgãos responsáveis, o idoso voltou a manter contato com familiares e deverá fixar residência no município de São Félix do Xingu, no Pará.


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Idoso de 65 anos é resgatado de trabalho escravo após 8 anos em fazenda no Pará