Entregador filmou a ação do guarda municipal e vídeo repercutiu nas redes sociais. O agente foi afastado do cargo e será investigado
Um agente da Guarda Civil Municipal (GCM) foi flagrado nessa segunda-feira (27/4) jogando a bicicleta de um entregador por aplicativo em um córrego na região do Jardim Oropó, no município de Mogi das Cruzes, em São Paulo. Durante a abordagem, a vítima filmou a ação e o vídeo repercutiu nas redes sociais.
No registro, é possível ver o jovem com uma mochila térmica vermelha, utilizada para realizar entregas, enquanto afirma estar trabalhando. Os guardas municipais pedem o documento de identificação do jovem, que não o entrega e, na sequência, a bicicleta é jogada.
Em entrevista para o Metrópoles, o entregador Alisson dos Santos, de 25 anos, alegou que estava indo retirar um pedido quando foi surpreendido por um profissional da GCM que o questionou se ele portava drogas. Em seguida, ele conta que um dos guardas furou os pneus da bike e deu um tapa na cara dele, e quando percebeu que estava sendo filmado realizou a ação vista no vídeo.
“Ele insistiu que eu estava com drogas. Me deu um tapa na cara e quando comecei a gravar ele ficou mais bravo, e jogou minha bicicleta no esgoto”, disse Alisson.
O entregador tem uma filha de 3 anos, e afirmou que as entregas eram o seu único meio de trabalho.
Pronunciamento da Prefeitura
Em nota, a Prefeitura de Mogi das Cruzes afirmou que o agente foi afastado do cargo e será investigado pela conduta filmada. Confira a nota na íntegra:
“Por determinação da prefeita Mara Bertaiolli, a Secretaria Municipal de Segurança afastou imediatamente o guarda civil municipal alvo de denúncia de comportamento inadequado das atividades operacionais.
Também foi aberto processo de sindicância junto à Corregedoria da Guarda Civil Municipal para apurar a conduta, que não compactua com as diretrizes da administração municipal, que prima pela qualidade da prestação de serviços e respeito ao cidadão.
A Secretaria de Segurança reitera o compromisso com atuação dentro da legalidade e de apuração rigorosa dos fatos”.
Ação Judicial
O caso chegou até Júnior Freitas, vereador do PSol e líder de movimento pelos trabalhadores por aplicativo, que protocolou uma ação judicial junto com a deputada federal Erika Hilton contra a Prefeitura de Mogi das Cruzes. Em publicação nas redes sociais, o parlamentar lamentou o ocorrido.
Ao Metrópoles, Freitas disse que a postura do agente é revoltante, mas não é um caso isolado:
“Não é essa postura que a GCM ou a polícia ou qualquer órgão público tem que ter com um trabalhador que já vem sendo precarizado o tempo todo. Tá errado. Isso é um caso revoltante. A gente entrou com essa ação para garantir que a situação sirva de exemplo, para que isso não aconteça mais. A gente vai até o fim nesse caso.”
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