Menos de 24 horas após o segundo turno das eleições presidenciais, o senador Flávio Bolsonaro (PL) afirmou ter sido surpreendido por uma intimação da Polícia Federal, determinando a entrega de seus passaportes e proibindo sua saída do Brasil. A ordem, atribuída ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), foi duramente criticada pelo parlamentar, que questionou o momento da decisão e denunciou o que considera uma tentativa de intimidação política após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Em vídeo divulgado nas redes sociais, Flávio contou que havia acabado de visitar o pai, Jair Bolsonaro, quando encontrou agentes federais nas proximidades da residência do ex-presidente. Segundo ele, a abordagem ocorreu em plena rua, circunstância que provocou indignação, especialmente pelo fato de a medida ter sido determinada logo após o encerramento da disputa presidencial.
A justificativa apresentada para a decisão também foi contestada por Flávio. De acordo com o parlamentar, Moraes teria utilizado como fundamento uma declaração de Eduardo Bolsonaro, feita em 23 de outubro, sugerindo que o irmão deixasse o Brasil caso fosse derrotado nas urnas. Flávio negou ter manifestado qualquer intenção de abandonar o país e questionou por que deveria sofrer uma restrição baseada em palavras que não foram pronunciadas por ele.
“Eu nunca falei isso. Isso é motivo pra tirar meu passaporte? Isso é justiça?”, questionou o senador, levantando dúvidas sobre a proporcionalidade da medida.
Flávio questiona decisão tomada após resultado eleitoral
Um dos pontos mais contundentes do pronunciamento foi o questionamento sobre o momento escolhido para a determinação judicial. Flávio afirmou que a decisão foi tomada na noite de domingo (25), pouco depois do anúncio da reeleição de Lula, e colocou em dúvida se receberia o mesmo tratamento caso tivesse conquistado a Presidência da República.
“Pensa comigo, se eu tivesse ganhado as eleições, ia acontecer a mesma coisa?”, perguntou.
Para o senador, a coincidência entre o resultado eleitoral e a restrição imposta pela Justiça levanta suspeitas de motivação política.
Senador promete enfrentar decisão e liderar oposição ao PT
Mesmo diante da determinação judicial, Flávio Bolsonaro garantiu que entregará seus passaportes e recorrerá aos instrumentos legais para contestar a medida. O parlamentar afirmou que não pretende abandonar a vida política nem deixar de denunciar aquilo que considera abusos contra a oposição.
“Eu vou entregar os meus passaportes e vou me defender dessa aberração, que é uma clara tentativa de me intimidar”, declarou.
Flávio também apresentou um cenário preocupante para a economia brasileira, citando a alta do dólar, a queda da Bolsa de Valores e a insegurança jurídica diante da vitória do petista. Na avaliação do senador, a continuidade do PT no Palácio do Planalto poderá agravar problemas econômicos e trazer novas restrições à liberdade de expressão.
Além das críticas, o ex-candidato anunciou que pretende reunir parlamentares eleitos para estruturar uma oposição ao governo petista. O objetivo, segundo ele, é fortalecer a atuação de deputados e senadores na fiscalização das medidas adotadas pelo Executivo e na defesa das pautas apresentadas durante sua campanha presidencial.
“Eu vou reunir os deputados, senadores eleitos, pra organizar a nossa estratégia e fazer da Câmara e do Senado a nossa fortaleza”, afirmou.
Flávio encerrou o pronunciamento assegurando que continuará atuando na política nacional, mesmo após a derrota presidencial. “Não vão me calar, não vão me intimidar”, declarou, reforçando que pretende assumir uma posição de destaque na oposição ao novo mandato de Lula.
Veja vídeo:
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