Associação Mineira de Supermercados afirma que setor ainda avalia como reorganizar equipes e manter o atendimento aos clientes, principalmente aos fins de semana, com a redução da jornada de trabalho
O fim da escala 6×1, que começará a ser aplicado em dezembro deste ano, tem preocupado os supermercados de Minas Gerais. A principal dificuldade apontada pelo setor é reorganizar as equipes para manter as lojas funcionando durante toda a semana, especialmente aos sábados e domingos. Uma das alternativas defendidas pelos empresários é a contratação de funcionários com remuneração por hora trabalhada.
Ao NC News, o presidente da Associação Mineira de Supermercados (Amis), Alexandre Poni afirma que a Associação Brasileira de Supermercados (Abras) está em diálogo com o poder público para discutir a adoção de um modelo de trabalho por hora, sem a retirada de direitos trabalhistas.
A proposta permitiria contratar profissionais para atender períodos de maior movimento, quando os estabelecimentos precisam ampliar o número de funcionários. A medida, no entanto, ainda está em discussão e depende de definições sobre sua regulamentação.
Supermercados podem mudar horário de funcionamento?
De acordo com o presidente da Amis, ainda é cedo para definir se os supermercados precisarão modificar o horário de funcionamento ou adotar novas formas de organização das equipes.
A preocupação é maior aos fins de semana, quando os estabelecimentos precisam atender à demanda dos consumidores e, ao mesmo tempo, garantir os períodos de descanso previstos na nova legislação.
“Nós temos que ter um tempo de abertura das lojas. Então, ainda é muito cedo para falar como é que nós vamos agir”, afirmou Poni, durante a Superminas.
O dirigente explicou que as entidades do comércio estão discutindo alternativas com o governo e representantes dos trabalhadores. Entre as possibilidades estão negociações coletivas e adaptações nas escalas de trabalho.
Apesar das dificuldades apontadas, Poni afirmou que o setor supermercadista cumprirá as regras estabelecidas pela legislação.
O que muda com o fim da escala 6×1?
A Emenda Constitucional 141, promulgada pelo Congresso Nacional em 16 de outubro, estabelece a substituição da escala de seis dias trabalhados por um de descanso pelo modelo de cinco dias de trabalho e dois de folga, conhecido como 5×2. A mudança também prevê a redução gradual da jornada semanal, sem diminuição dos salários.
A transição ocorrerá em duas etapas:
- Dezembro de 2026: a jornada máxima será reduzida de 44 para 42 horas semanais, com dois dias de descanso remunerado.
- Dezembro de 2027: a carga horária máxima passará para 40 horas semanais, mantendo os dois dias de folga.
A legislação prevê que um dos dias de descanso seja, preferencialmente, aos domingos. Também permite ajustes por meio de acordos e convenções coletivas, respeitadas as condições estabelecidas na emenda constitucional.
Como funcionaria a contratação por hora?
O modelo defendido pelas associações de supermercados permitiria que trabalhadores fossem contratados para cumprir jornadas específicas, conforme a necessidade dos estabelecimentos.
Na prática, um supermercado poderia organizar equipes para reforçar o atendimento nos horários de maior movimento, sem necessariamente ampliar a jornada dos funcionários que trabalham em regime convencional.
O pagamento por hora já existe na legislação brasileira. O que as entidades empresariais defendem é a ampliação das possibilidades de contratação e de organização do trabalho, mantendo direitos como férias, 13º salário e proteção previdenciária.
Ainda não há uma definição sobre a adoção desse modelo para atender às demandas decorrentes do fim da escala 6×1.
A discussão acontece enquanto o setor se prepara para as novas regras. A Superminas 2026 segue até quinta-feira (29), no Expominas, reunindo representantes de supermercados, fornecedores e empresas de diferentes segmentos do varejo.
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