23/10/2026
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‘Carnes podres e produtos vencidos’: DB é condenado a pagar R$ 650 mil em Manaus

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Foto reprodução

Justiça reconheceu problemas sanitários em duas unidades da rede, incluindo carne imprópria para consumo, alimentos vencidos e falhas no armazenamento.

O Supermercados DB Ltda. foi condenado pela Justiça a pagar R$ 650 mil por danos morais coletivos após ações civis públicas movidas pelo Ministério Público do Amazonas (MPAM). As decisões apontam irregularidades na comercialização e no armazenamento de alimentos em duas unidades da rede, em Manaus, e determinam a correção dos problemas sanitários identificados.

Os valores das condenações serão destinados integralmente ao Fundo Estadual de Defesa do Consumidor (Fundecon). Além das indenizações, a empresa deverá regularizar as inconformidades apontadas nos processos, sob pena de multas.

Unidade do DB na Cidade Nova recebe condenação de R$ 500 mil

Na unidade Max Teixeira, localizada no bairro Cidade Nova, a Justiça determinou o pagamento de R$ 500 mil por danos morais coletivos. As irregularidades foram identificadas a partir de fiscalizações do Instituto de Pesos e Medidas do Amazonas (Ipem-AM) e do Programa Estadual de Proteção e Orientação do Consumidor (Procon-AM).

Entre os problemas registrados estavam a venda e a exposição de alimentos com prazo de validade vencido, embalagens estufadas, falhas na identificação da origem dos produtos e divergências de pesagem.

Os registros também apontaram carnes deterioradas, laticínios sem refrigeração adequada e produtos enlatados amassados ou violados.

A Justiça determinou que o DB comprove, em até 15 dias úteis, a regularização das irregularidades sanitárias e estruturais identificadas pela Vigilância Sanitária de Manaus (Visa). Caso a ordem não seja cumprida, poderá ser aplicada multa diária de R$ 10 mil, limitada a 20 dias.

Fiscalização encontrou 1,6 tonelada de carne imprópria no Centro

Na unidade da Avenida Eduardo Ribeiro, no Centro de Manaus, a condenação foi de R$ 150 mil por danos morais coletivos. Durante uma fiscalização realizada em março de 2024, foram identificadas 1,6 tonelada de carne bovina considerada imprópria para o consumo humano.

Segundo o MPAM, os produtos apresentavam coloração esverdeada e odor de putrefação, além de estarem armazenados em equipamentos de refrigeração avariados. A investigação também apontou problemas nas etiquetas de validade e ausência de selo de inspeção oficial.

Nesse caso, a Justiça determinou que a rede regularize as inconformidades sanitárias e estruturais no prazo de 15 dias. O descumprimento poderá resultar em multa diária de R$ 5 mil, limitada a R$ 150 mil.

MPAM aponta repetição de irregularidades

A promotora de Justiça Sheyla Andrade dos Santos, titular da 81ª Promotoria de Justiça Especializada na Proteção e Defesa do Consumidor (Prodecon), informou que novas inspeções realizadas em janeiro de 2025 identificaram a repetição de irregularidades.

Segundo a promotora, a empresa alegou que os produtos estavam separados para descarte. No entanto, conforme relatado pelo MPAM, a Justiça considerou que os registros dos agentes públicos indicavam que a carne estava sendo processada e etiquetada para venda futura.

O Ministério Público informou que mantém outros quatro inquéritos civis e seis ações civis públicas em andamento contra a rede de supermercados.

Outro lado

A reportagem procurou o Supermercados DB para solicitar um posicionamento sobre as condenações e as irregularidades apontadas nos processos. Até a publicação desta matéria, não houve retorno. O espaço permanece aberto para manifestação da empresa.


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