23/06/2026
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Banco ligado a Edir Macedo enfrenta disputa judicial bilionária antes de operação da PF

Banco ligado a Edir Macedo
Foto reprodução

Yards Capital acionou a Justiça para cobrar cerca de R$ 500 milhões do Banco Digimais após desvalorização de ativos ligados a empresas investigadas; instituição também é alvo da Operação Miragem da Polícia Federal.

O Banco Digimais, instituição financeira controlada por Edir Macedo, voltou ao centro das atenções após ser alvo da Operação Miragem, da Polícia Federal. Antes da ação policial, a instituição já enfrentava uma disputa judicial envolvendo um suposto prejuízo de aproximadamente R$ 500 milhões.

A ação foi movida pelo empresário Roberto Campos Marinho Filho, sócio do banco e proprietário da Yards Capital. O processo questiona a utilização de títulos emitidos pelas empresas Fictor, Reag e Banco Master como garantia em operações realizadas por meio do fundo de investimento EXP 1.

Divergência sobre ativos financeiros

Segundo a ação, a controvérsia surgiu após a forte desvalorização dos ativos que compunham a carteira do fundo. O Digimais detinha 80% de participação no investimento, enquanto a Yards Capital possuía os 20% restantes.

De acordo com os documentos apresentados à Justiça, os títulos perderam valor após o avanço de investigações envolvendo o Banco Master, a Reag e a Fictor, empresas que passaram a enfrentar questionamentos regulatórios e processos de fiscalização.

Diante do cenário, a Yards Capital notificou judicialmente o Digimais solicitando a recompra dos ativos que, à época, somavam cerca de R$ 462,2 milhões.

Cobrança envolve títulos de três instituições

Do valor total reivindicado, aproximadamente R$ 316,6 milhões estavam relacionados a títulos emitidos pelo Banco Master e pela Reag. Outros R$ 145,6 milhões correspondiam a ativos vinculados à Fictor.

A Reag foi alvo de investigações sobre supostas movimentações financeiras suspeitas e acabou sendo liquidada pelo Banco Central em dezembro de 2025.

Já a Fictor ganhou notoriedade após anunciar a intenção de adquirir o Banco Master por cerca de R$ 3 bilhões. Pouco depois, o Master entrou em liquidação e seus principais executivos passaram a responder a investigações.

Banco enfrentava dificuldades financeiras

A situação financeira do Digimais já vinha sendo acompanhada pelo mercado nos últimos anos. Relatórios apontaram aumento da inadimplência após a pandemia, fator que pressionou o patrimônio da instituição.

Para manter as operações, o banco recebeu sucessivos aportes financeiros dos controladores. Em 2025, também passou por um processo de reestruturação acompanhado pelo Banco Central.

Durante o mesmo período, chegaram a ocorrer negociações para a venda da instituição ao investidor Maurício Quadrado, ex-sócio do Banco Master. As tratativas, porém, não foram concluídas.

Operação Miragem

A nova repercussão envolvendo o Digimais ocorre após a deflagração da Operação Miragem, conduzida pela Polícia Federal, que investiga possíveis irregularidades financeiras. A operação determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 670 milhões em bens e ativos ligados aos investigados.

As apurações seguem em andamento e os envolvidos poderão apresentar defesa ao longo do processo.


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