“Se nós formos presos injustamente, o Amazonas vai parar.” A declaração de Sargento Salazar, publicada nas redes sociais, elevou a tensão política após Alessandra Campêlo denunciar um gesto feito nos bastidores do debate da TV Norte. No vídeo, Salazar acusa a esquerda de perseguição, chama adversários de “sujos” e afirma que querem afastá-lo da campanha de Maria do Carmo.
A frase transforma uma disputa política em uma ameaça de impacto coletivo. O Amazonas não pode ser tratado como instrumento de pressão por causa de uma investigação ou eventual processo. Se Salazar considera que há perseguição, cabe apresentar provas e recorrer pelos meios legais.
Requerimento não é ordem de prisão
Salazar afirma que a esquerda pediu sua prisão e a de Kidson Maia e exibe um documento com referências aos artigos 311, 312 e 313 do Código de Processo Penal. O material, porém, é apresentado como um requerimento e não comprova que um juiz tenha decretado a prisão dos dois.
Pela lei, a prisão preventiva depende de decisão judicial e do cumprimento dos requisitos legais. Um pedido não equivale a uma ordem de prisão.
Embora fale em perseguição e tentativa de afastá-lo da campanha, Salazar não apresenta no vídeo provas de uma articulação política coordenada. O discurso de perseguição desvia o foco do episódio que motivou a denúncia de Campêlo.
A denúncia e a reação de Salazar
A polêmica começou após o debate entre Omar Aziz e Maria do Carmo, em 13 de outubro. Imagens dos bastidores mostraram Kidson Maia fazendo um gesto semelhante a um corte no pescoço. Campêlo afirmou que se sentiu ameaçada, registrou boletim de ocorrência e informou que buscaria medidas de proteção. A intenção do gesto ainda precisa ser apurada.
Questionado por jornalistas, Salazar disse que não havia visto o gesto atribuído a Kidson e sugeriu que poderia significar que os adversários perderiam a eleição. Depois, chamou Campêlo de “passa pano” e afirmou que começaria a “jogar sujo”, mencionando informações sobre familiares de Omar Aziz.
Agora, em vez de esclarecer o episódio, volta a atacar a denunciante e seus adversários. É legítimo contestar uma acusação, mas insultos e acusações genéricas não explicam o contexto do gesto.
No novo vídeo, Salazar também compara o episódio a gestos atribuídos à esposa do presidente Lula e ao ministro Alexandre de Moraes. A comparação com situações distintas, porém, não esclarece o que ocorreu nos bastidores do debate.
Maria do Carmo afirmou que não presenciou a situação e defendeu que o caso seja esclarecido pelo Poder Judiciário.
O Amazonas não pode virar instrumento de campanha
Salazar pode apresentar sua versão e contestar a denúncia na Justiça. Mas dizer que o estado vai parar caso ele seja preso coloca a população no centro de uma disputa política. A denúncia de Campêlo e as acusações de Salazar precisam ser apuradas; até lá, cabe aos envolvidos apresentar provas e respeitar as instituições.
O Amazonas precisa de responsabilidade e esclarecimentos — não de ameaças de paralisação quando um político é questionado.
Assista ao vídeo de Sargento Salazar
Descubra mais sobre Manaustime
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.
