24/06/2026
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Governo zera imposto sobre carros elétricos desmontados e acirra embate com montadoras nacionais

Governo zera imposto sobre carros elétricos
Imagem: TY Lim/Shutterstock

Medida do Gecex amplia cota de importação de kits CKD e SKD e levanta debate sobre industrialização e empregos no Brasil automotivo

O Comitê Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex) decidiu na terça-feira (23) renovar a autorização de importação, sem cobrança de impostos, para kits de veículos elétricos e híbridos desmontados e semidesmontados. A medida envolve os modelos conhecidos como CKD e SKD e integra a estratégia de incentivo à entrada de veículos eletrificados no país.

O modelo CKD corresponde a veículos que chegam em partes para montagem local, enquanto o SKD envolve unidades mais próximas do produto final, exigindo menos etapas de fabricação e menor uso de mão de obra no Brasil. Já os carros totalmente prontos, classificados como CBU, não entram nessa regra de incentivo discutida pelo governo.

A decisão provocou reação imediata de entidades do setor automotivo, que apontam risco à indústria nacional. O governo, por meio do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, defende a medida como parte do processo de descarbonização e afirma que veículos totalmente montados não terão limite de cotas para importação.

Disputa em torno da política para veículos elétricos no Brasil

Mesmo com carros baratos dominando esse elétrico começa a ganhar força
BYD é uma das montadoras de carros elétricos que podem se beneficiar do imposto zerado – (Foto: Divulgação-BYD)

A renovação das cotas ocorre em um cenário de transição da indústria automotiva, no qual o país busca ampliar a presença de veículos elétricos e ao mesmo tempo atrair investimentos para produção local. A medida foi definida pelo Gecex em meio a debates sobre como equilibrar importações e instalação de fábricas no território nacional.

Segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores, a decisão gera impacto negativo sobre trabalhadores e empresas instaladas no Brasil. Em posicionamento oficial, a entidade afirmou: “A medida é contrária aos interesses dos trabalhadores, das fabricantes nacionais de veículos e das empresas brasileiras de autopeças.”

A entidade também criticou a falta de consulta prévia ao setor produtivo e afirmou que mudanças no cronograma podem afetar investimentos já planejados. Em outro trecho da manifestação, declarou: “A decisão, tomada sem consulta ao setor produtivo, altera de forma intempestiva uma política definida pelo próprio governo federal.”

Ilustração de imposto ao lado de uma bandeira do Brasil
Crédito: sasirin pamai/Shutterstock

Na avaliação do governo federal, representado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, a medida integra uma estratégia mais ampla de modernização do setor automotivo. Conforme o ministério, a iniciativa busca estimular inovação e reduzir emissões, ao afirmar que a política está alinhada à “renovação da frota e ao fortalecimento da inovação e da descarbonização no ecossistema automotivo brasileiro.”

Dentro desse debate, os formatos de importação ganham papel central. O SKD, por exigir menos etapas de montagem local, é visto por parte da indústria como um modelo que reduz a geração de empregos industriais no país, enquanto o CKD é associado a maior envolvimento de produção interna. Já os veículos totalmente montados seguem fora do escopo de restrição de cotas para esse tipo de incentivo.

*Com informaçoes olhardigital


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