Decisão encerra negociação de dois anos e amplia o acesso de produtos bovinos e suínos brasileiros ao maior mercado consumidor do mundo.
O governo da China anunciou nesta terça-feira (2) o reconhecimento de todo o território brasileiro como livre de febre aftosa.
A confirmação ocorreu durante a visita do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, a Pequim e encerra um processo de negociação conduzido entre os dois países ao longo dos últimos dois anos.
A decisão representa um importante avanço para o agronegócio brasileiro, especialmente para os setores de carne bovina e suína.
Exportações ganham novas oportunidades
Com o novo status sanitário, o Brasil amplia as possibilidades de exportação para o mercado chinês, principal destino dos produtos agropecuários brasileiros.
Entre os itens que poderão ganhar espaço nas negociações comerciais estão:
- Carne bovina com osso;
- Miúdos bovinos;
- Carne suína com osso;
- Miúdos externos suínos;
- Produtos derivados de couro.
Até então, algumas dessas exportações estavam restritas a estados com reconhecimento sanitário específico.
Mercado chinês é principal parceiro do agro brasileiro
A China é atualmente o principal comprador dos produtos do agronegócio brasileiro.
Somente em 2025, as exportações do setor para o país asiático ultrapassaram US$ 50 bilhões, consolidando a relevância da parceria comercial entre as duas nações.
Segundo o governo brasileiro, o reconhecimento fortalece a confiança sanitária construída ao longo dos anos e amplia as perspectivas de negócios para o setor.
Estados produtores serão beneficiados
Antes da decisão chinesa, apenas o estado de Santa Catarina possuía reconhecimento para exportar determinados produtos de maior valor agregado.
Com a ampliação do reconhecimento sanitário, estados como Rio Grande do Sul e Mato Grosso passam a ter acesso imediato a novas oportunidades comerciais.
A expectativa é que outras unidades da federação também possam ampliar sua participação no mercado internacional à medida que novas habilitações sejam aprovadas.
Setor prevê aumento nas exportações
A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) estima que a medida possa gerar um aumento superior a 40 mil toneladas anuais nas exportações brasileiras de carne suína destinadas à China.
Já a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) avaliou que a decisão traz mais previsibilidade para o comércio internacional e reforça a posição do Brasil como fornecedor confiável de alimentos.
Segundo representantes do setor, o reconhecimento também pode impulsionar a geração de empregos, renda e investimentos ao longo da cadeia produtiva.
Governo destaca avanço sanitário
O ministro da Agricultura, André de Paula, afirmou que o reconhecimento esteve entre as principais pautas apresentadas pelo governo brasileiro durante as recentes reuniões com autoridades chinesas.
Além da questão sanitária, os dois países também discutem cooperação em áreas como biotecnologia, fertilizantes e ampliação do comércio agrícola.
A expectativa é que o novo status facilite futuras negociações envolvendo outros produtos agropecuários brasileiros.
