Um laudo de perícia médica da Polícia Federal, encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF), concluiu que o ex-presidente Jair Bolsonaro, preso na Sala de Estado-Maior do 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, a chamada Papudinha, apresenta múltiplas comorbidades e necessita de monitoramento clínico diário rigoroso para evitar complicações graves, incluindo risco de morte súbita.
O documento, tornado público por decisão do ministro Alexandre de Moraes, descreve um quadro de “multimorbidade”, com doenças cardiovasculares, respiratórias, gastrointestinais, metabólicas e neurológicas. Entre os diagnósticos estão apneia obstrutiva do sono grave, hipertensão arterial, doença aterosclerótica, insuficiência renal limítrofe, anemia ferropriva, esofagite erosiva, soluços incoercíveis e sequelas de cirurgias abdominais.
Segundo os peritos, essas condições estão atualmente sob controle clínico e não justificam, neste momento, transferência para ambiente hospitalar ou internação. O laudo afirma que Bolsonaro pode permanecer na unidade prisional especial, desde que sejam adotadas e mantidas medidas de cuidado contínuo.
Entre as recomendações estão:
- Monitoramento clínico diário;
- Controle rigoroso da pressão arterial;
- Hidratação adequada e alimentação fracionada;
- Administração regular de múltiplos medicamentos;
- Acesso rápido a exames laboratoriais e de imagem;
- Atendimento médico imediato em caso de intercorrências;
- Uso contínuo e correto de aparelho CPAP para tratamento da apneia do sono.
Em resposta a quesito da defesa, os peritos confirmam que a não observância dessas medidas pode acarretar complicações graves, como pneumonia aspirativa, insuficiência respiratória, AVC, insuficiência renal, quedas com traumatismo craniano ou morte súbita.
O laudo também registra sinais e sintomas neurológicos que aumentam o risco de novas quedas, recomendando investigação diagnóstica complementar. Apesar disso, os médicos concluem que o quadro geral é estável, embora frágil, e que a ausência de acompanhamento multidisciplinar adequado pode levar a descompensação súbita com “risco concreto de morte”.
Moraes encaminhou o documento à Procuradoria-Geral da República (PGR) e abriu prazo para manifestação da defesa. As informações servirão de base para a análise do novo pedido de prisão domiciliar apresentado pelos advogados de Bolsonaro, que alegam piora recente do quadro clínico e sustentam que a estrutura da Papudinha não atende plenamente às necessidades de saúde do ex-presidente.
Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão em regime fechado, condenado por participação em trama golpista.
Descubra mais sobre Manaustime
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.
