31/01/2026
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Vereador Salazar chama moradores de invasão de ‘bando de porcaria’

Vereador Salazar
Foto reprodução

Parlamentar ataca diretamente o perfil social que historicamente compõe parte relevante de sua base eleitoral.

O vereador Sargento Salazar (PL) se referiu a moradores de uma ocupação no núcleo 9, no bairro Nova Cidade, zona Norte de Manaus, como “bando de porcaria”, ao visitar a área e alegar que invasões são comandadas por facções criminosas. A postura adotada pelo parlamentar, que incluiu ataques verbais e a destruição de estruturas improvisadas, evidencia um discurso que criminaliza famílias em situação de vulnerabilidade e ignora as causas históricas do déficit habitacional na capital.

Declarações reforçam estigmatização de famílias pobres

Ao generalizar moradores de ocupações e associá-los automaticamente ao crime organizado, Salazar coloca no mesmo grupo pessoas que vivem realidades distintas, incluindo trabalhadores, famílias sem acesso a moradia formal e indivíduos que recorrem à ocupação por falta de alternativa.

O uso da expressão “bando de porcaria” expõe uma abordagem que desumaniza moradores e transforma um problema social complexo em alvo de hostilidade política, em vez de buscar soluções estruturais.

Atuação no local vai além do discurso

Durante a passagem pela área invadida, o vereador foi visto destruindo barracos e rasgando lonas utilizadas como abrigo pelas famílias. A ação, além de simbólica, evidencia uma postura punitiva que afeta diretamente pessoas em situação de extrema fragilidade social.

“Vão trabalhando bando de porcaria ao invés de vocês ficarem invadindo área de preservação”, afirmou Salazar no local, reforçando uma narrativa que transfere a responsabilidade de um problema estrutural exclusivamente para os mais pobres.

Ataque contradiz base eleitoral do vereador

O posicionamento de Salazar evidencia uma contradição política: ele ataca diretamente o perfil social que historicamente compõe parte relevante de sua base eleitoral. Trabalhadores de baixa renda, moradores de bairros periféricos e famílias em situação de vulnerabilidade estão entre os grupos mais impactados por políticas públicas — e, ao mesmo tempo, entre os mais afetados por esse tipo de discurso.

Em vez de propor soluções estruturais para habitação, regularização fundiária e inclusão social, o vereador adota um tom de confronto contra quem enfrenta as consequências dessas falhas históricas.

Invasões em Manaus têm raízes históricas

As ocupações urbanas em Manaus não são um fenômeno recente nem isolado. Diversos bairros da cidade surgiram a partir de invasões de áreas públicas ou privadas, impulsionadas pela falta de políticas eficazes de habitação popular, pelo crescimento populacional acelerado e pela migração de moradores do interior para a capital.

A ausência de programas robustos de moradia, regularização fundiária e planejamento urbano contribuiu para a expansão desse tipo de ocupação ao longo das décadas, transformando o problema em uma questão estrutural — não apenas legal ou policial.


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