Dinâmica do reality brasileiro é criticada por jornal e TV espanhóis, que apontam privação sensorial e excesso de sofrimento.
A dinâmica do BBB 26 ultrapassou as fronteiras do Brasil e virou alvo de críticas na imprensa internacional. O chamado Quarto Branco, que já dura quatro dias no reality da Globo, foi destaque em reportagem do jornal espanhol laSexta, que classificou o ambiente como uma espécie de “câmara de tortura”.
O Quarto Branco, iniciado por volta das 23h30 da segunda-feira (12), ultrapassou a marca de 60 horas consolidando-se como o confinamento mais longo já registrado no reality da TV Globo. A resistência superou o antigo recorde do BBB 10, que havia alcançado 50 horas, e rapidamente chamou a atenção do público pela intensidade psicológica imposta aos participantes.
A publicação descreve a dinâmica como um experimento extremo, mais próximo de punição psicológica do que de entretenimento televisivo. Para os espanhóis, o formato levanta questionamentos sobre os limites éticos dos reality shows modernos — especialmente quando o sofrimento passa a ser o centro da atração.
Sobre a dinâmica
Nesta edição, nove integrantes do grupo Pipoca foram direcionados ao espaço após não garantirem vaga direta pelas casas de vidro. O ambiente, totalmente branco, sem estímulos visuais, conforto ou privacidade, foi planejado para provocar desgaste físico e emocional. Apenas dois sobreviventes da prova conquistarão a entrada definitiva na casa principal, enquanto os demais ficarão de fora da disputa milionária. Antes de bater o recorde absoluto, a dinâmica já havia igualado marcas emblemáticas, como a do BBB 9, quando o Quarto Branco apareceu pela primeira vez e levou competidores ao limite da resistência.
Ambiente é descrito como privação sensorial
De acordo com o jornal, o Quarto Branco consiste em uma sala completamente branca, sem qualquer tipo de mobília, com paredes acolchoadas e tomada por ruídos constantes. Os participantes usam apenas roupas brancas e não conseguem distinguir dia e noite, já que a iluminação permanece ligada 24 horas por dia.
O texto ressalta que os confinados enfrentam sérias dificuldades para dormir, tanto pela ausência de camas quanto pelos sons repetitivos e incômodos. Entre os ruídos citados estão choros de bebê e sons agudos semelhantes ao de um giz riscando um quadro-negro — estímulos descritos como “mentalmente exaustivos”.
Comparação com prisão militar gera reação
A repercussão não ficou restrita ao portal. O telejornal da emissora espanhola também exibiu uma matéria sobre o assunto e fez uma comparação direta entre o Quarto Branco e uma prisão militar dos Estados Unidos localizada em Cuba — referência que elevou o tom da crítica.
Durante a exibição, o âncora questionou abertamente a proposta da dinâmica. “Eles estão ouvindo esses barulhos? Estão presos em um quarto branco e obrigados a escutar sons insuportáveis 24 horas por dia”, disse, em tom de incredulidade.
Para os jornalistas espanhóis, o BBB brasileiro estaria se afastando do conceito de jogo e se aproximando de uma experiência de resistência extrema, em que o desgaste psicológico se torna o principal fator de pressão.
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