Portaria estabelece etapas obrigatórias para produção local e condiciona benefícios fiscais ao cumprimento do refino na região.
O governo federal publicou, nesta quinta-feira (19), a Portaria Interministerial MDIC-MCTI nº 167/2026, que estabelece o Processo Produtivo Básico (PPB) para derivados de petróleo na Zona Franca de Manaus (ZFM). A medida é considerada um marco para o setor energético no Amazonas e pode impactar diretamente o preço dos combustíveis no estado.
A norma cria regras para que empresas, como a Refinaria da Amazônia (Ream), comandada pelo Grupo Atem, tenham acesso a incentivos fiscais, desde que realizem etapas do refino dentro da própria região.
Na prática, o governo busca incentivar a produção local e reduzir a dependência de combustíveis importados.
O que muda com o novo PPB
O Processo Produtivo Básico define as etapas mínimas que devem ser realizadas no Brasil — especialmente na Zona Franca — para que empresas tenham direito a benefícios fiscais.
No caso dos derivados de petróleo, a portaria determina que todas as fases essenciais do refino precisam ocorrer dentro da ZFM.
Entre as etapas obrigatórias estão:
- Filtração e decantação do petróleo bruto
- Destilação atmosférica
- Destilação a vácuo (quando aplicável)
- Processos de conversão, como o craqueamento
- Mistura, aditivação e filtragem
- Armazenamento
O cumprimento integral dessas etapas passa a ser condição indispensável para que a atividade seja considerada industrializada na região.
Regra busca reduzir custos e incentivar produção local
A expectativa é que a exigência do refino local ajude a reduzir custos logísticos e operacionais, o que pode refletir no preço final ao consumidor.
Atualmente, parte dos combustíveis comercializados no Amazonas é importada, o que expõe os preços às variações do mercado internacional, como o aumento do valor do barril de petróleo.
Com a nova regra, o governo pretende estimular investimentos na cadeia produtiva local e fortalecer a indústria regional.
Segurança jurídica para o setor
A portaria também é vista como uma resposta a uma antiga demanda do setor industrial, que apontava falta de clareza nas regras para concessão de incentivos fiscais.
Ao estabelecer critérios objetivos e obrigatórios, o governo cria um ambiente mais previsível para empresas interessadas em investir no refino de petróleo na Zona Franca.
Além disso, a medida delimita a quantidade de insumos intermediários que podem ser importados, reforçando a exigência de produção local.
Alta dos combustíveis pressiona mudanças
A publicação da portaria ocorre em um momento de aumento significativo nos preços dos combustíveis no Amazonas.
Dados recentes indicam que a gasolina vendida pela refinaria passou de R$ 2,89 para R$ 3,87, enquanto o diesel S10 subiu de R$ 3,74 para R$ 5,70.
Nas bombas, o impacto também foi sentido. O litro da gasolina saltou de R$ 6,99 para R$ 7,29 em um curto intervalo, o que levou o Procon Amazonas a intensificar fiscalizações.
O órgão busca identificar se os reajustes aplicados pelos postos são justificáveis ou se configuram práticas abusivas contra os consumidores.
Impacto pode ir além do Amazonas
Embora a medida tenha foco na Zona Franca de Manaus, seus efeitos podem alcançar outros estados, especialmente no Norte do país, onde o abastecimento depende da logística regional.
A produção local tende a reduzir a necessidade de importação e a exposição a crises internacionais, o que pode trazer maior estabilidade aos preços.
Próximos passos
Com a nova regulamentação em vigor, o desafio agora será garantir o cumprimento das exigências pelas empresas do setor.
A adesão às regras do PPB será fundamental para que as refinarias continuem acessando benefícios fiscais e ampliem sua atuação na região.
Se implementada de forma efetiva, a medida pode representar uma mudança estrutural no mercado de combustíveis no Amazonas, com potencial de aliviar o bolso do consumidor e fortalecer a economia local.
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