27/02/2026
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Navio, helicóptero e balas de borracha: operação da PF contra garimpo ilegal deixa rastro de destruição em Humaitá

operação da PF contra garimpo ilegal deixa rastro de destruição em Humaitá
Foto reprodução

Ação com grande aparato no Rio Madeira termina com dragas incendiadas, confronto com ribeirinhos e prejuízo material e psicológico para famílias do sul do Amazonas

Por: [Manuel Menezes]

Uma operação de grande porte da Polícia Federal mobilizou nesta sexta-feira (27) um verdadeiro aparato de guerra no município de Humaitá, no sul do Amazonas.

Com uso de navio de grande porte, helicóptero, aeronaves de monitoramento e apoio de forças federais, a ação teve como alvo estruturas de garimpo no Rio Madeira e seus afluentes, especialmente no rio Beem.

O resultado: dragas destruídas, balsas incendiadas, gás lacrimogêneo lançado contra a população e ao menos um morador atingido por bala de borracha.

Operação contra o crime ou contra famílias?

Segundo a Polícia Federal, a operação visava combater o garimpo ilegal responsável por danos ambientais, incluindo contaminação por mercúrio e degradação da biodiversidade.

A legislação ambiental permite a inutilização de equipamentos quando não há possibilidade de remoção.

Mas o que se viu nas margens do Madeira foi um cenário de guerra.

Em vídeos registrados por moradores, é possível observar famílias tentando apagar o fogo de dragas ainda em chamas após a saída das equipes federais. Em outros registros, embarcações civis se aproximam enquanto agentes ordenam dispersão com uso de munição não letal.

A pergunta que ecoa na região é direta:

O Estado foi proporcional na resposta?

Confronto no bairro Olaria

Um dos pontos mais tensos ocorreu nas proximidades do bairro Olaria. Moradores acompanharam a movimentação das forças federais e houve resistência em alguns trechos do rio.

Para dispersar a população, os agentes utilizaram gás lacrimogêneo e balas de borracha. Um homem foi atingido, segundo relatos preliminares.

As circunstâncias do confronto ainda não foram oficialmente detalhadas.

O impacto humano

Embora o foco oficial seja o combate ao garimpo ilegal, moradores afirmam que parte das estruturas destruídas pertence a famílias que dependem da atividade para subsistência.

A operação já terminou.
Mas deixou para trás:

  • prejuízo material elevado
  • equipamentos queimados
  • tensão social
  • trauma psicológico em comunidades ribeirinhas

Em Humaitá, muitos veem o episódio não apenas como repressão ambiental, mas como intervenção brusca sobre o extrativismo familiar.

O dilema da Amazônia

O combate ao garimpo ilegal é política pública federal e responde a compromissos ambientais.

Mas no sul do Amazonas, onde a economia local é frágil e a presença do Estado historicamente limitada, operações dessa magnitude ampliam um conflito antigo:

Preservação ambiental versus sobrevivência econômica.

O uso de navio de grande porte e helicóptero contra estruturas artesanais alimenta a narrativa de desproporcionalidade.

A operação cumpriu seu objetivo imediato: destruir estruturas consideradas ilegais.

Mas a longo prazo, o que resta é um cenário de polarização.

Sem alternativa econômica concreta, comunidades afetadas tendem a ver o Estado não como parceiro, mas como força repressiva.

E enquanto Brasília discute política ambiental, Humaitá convive com as consequências diretas.

VEJA O VÍDEO:


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