A troca de partido do vice-governador do Amazonas, Tadeu de Souza, intensificou as articulações políticas no Estado e reacendeu o debate sobre a sucessão estadual.
POR EDSON SAMPAIO
A recente movimentação partidária do vice-governador do Amazonas, Tadeu de Souza, vai além de um ato formal de troca de legenda. Trata-se de um movimento calculado, com forte carga estratégica, que sinaliza uma reorganização profunda das forças políticas no Estado e antecipa as disputas que devem moldar o próximo ciclo eleitoral.
Nos bastidores, a leitura é clara: Tadeu busca maior autonomia política, afastando-se de amarras que limitavam sua capacidade de articulação e ampliando o leque de alianças para um projeto mais robusto e competitivo. A troca de partido funciona, nesse contexto, como um divisor de águas — um reposicionamento que o coloca no centro das decisões e o projeta como protagonista da sucessão estadual.
A construção do novo tabuleiro político
Com o novo cenário, cresce a especulação sobre quem poderá compor a chapa como candidato a vice-governador em um eventual projeto encabeçado por Tadeu de Souza. Entre os diversos nomes ventilados, dois se destacam nos bastidores: Roberto Cidade e Saullo Vianna.
Roberto Cidade: força institucional e capilaridade política
Presidente da Assembleia Legislativa do Amazonas (ALEAM), Roberto Cidade desponta como um dos nomes mais fortes e estratégicos para compor uma chapa majoritária. Seu principal ativo é a capacidade de articulação institucional, aliada a uma base sólida de apoio parlamentar e presença consolidada nos municípios do interior.
Roberto Cidade consolidou-se como uma liderança de diálogo, com trânsito entre diferentes correntes políticas e influência direta sobre o Legislativo estadual. Sua eventual participação em uma chapa agregaria estabilidade política, apoio legislativo e musculatura eleitoral, especialmente em regiões onde a presença institucional do Parlamento é decisiva.
Fontes próximas ao núcleo político avaliam que Roberto Cidade reúne três elementos considerados essenciais para um projeto majoritário: governabilidade, base política organizada e capacidade de mobilização. Por isso, seu nome aparece com frequência como um dos mais viáveis — senão o mais completo — para ocupar a vice-governadoria.
Saullo Vianna: perfil técnico, político e forte conexão social
Outro nome que ganha força é o do secretário municipal da Mulher, Assistência Social e Cidadania (SEMASC), Saullo Vianna. Com trajetória que combina experiência legislativa, atuação no Executivo e forte ligação com pautas sociais, Saullo representa um perfil que dialoga diretamente com a população da capital e com segmentos estratégicos da sociedade.
À frente da SEMASC, Saullo construiu a imagem de gestor ativo, com presença constante nas comunidades e bom relacionamento com lideranças sociais e políticas. Sua eventual composição como vice agregaria densidade eleitoral em Manaus, além de um discurso socialmente sensível — elemento cada vez mais valorizado no atual ambiente político.
Nos bastidores, há quem avalie que Saullo Vianna reúne técnica, articulação política e popularidade, podendo se tornar peça-chave em uma chapa que precise ampliar sua penetração urbana.
David Almeida: desafios e perda de centralidade
Enquanto o vice-governador se movimenta e amplia seu campo de alianças, o prefeito de Manaus, David Almeida, aparece neste cenário enfrentando desafios para manter sua centralidade nas articulações estaduais. A movimentação de Tadeu de Souza evidencia fissuras na base política do prefeito e indica uma reconfiguração de forças que já não dependem exclusivamente de sua liderança.
A leitura predominante nos bastidores é que David enfrenta dificuldades para manter coesão política diante do avanço de novos arranjos. A possibilidade de Tadeu construir um projeto próprio, com alianças independentes e nomes competitivos, reduz o protagonismo do prefeito no debate sucessório.
José Melo entra em cena
Em meio a esse cenário, o ex-governador José Melo reaparece como articulador político, buscando influenciar lideranças e defendendo, segundo relatos de bastidores, que o futuro governador poderá ser David Almeida. As conversas e articulações indicam uma tentativa de reposicionar o prefeito como nome central do processo sucessório.
Convites pós-Carnaval e tentativa de recomposição
Segundo fontes ligadas ao prefeito, após o Carnaval está prevista uma rodada de convites a lideranças políticas do Amazonas para uma ampla conversa sobre o cenário eleitoral. O objetivo seria reorganizar alianças, conter desgastes e tentar retomar protagonismo no debate estadual.
Ainda assim, o tempo político avança rapidamente. No momento, Tadeu de Souza ocupa posição estratégica no tabuleiro, enquanto nomes como Roberto Cidade e Saullo Vianna surgem como peças importantes de uma engrenagem que pode definir os rumos do Estado.
Resumo da Ópera
A troca de partido de Tadeu de Souza não é um gesto isolado — é um indicativo de que o jogo sucessório no Amazonas entrou em nova fase. Com articulações em andamento, possíveis alianças estratégicas e nomes fortes sendo testados, o vice-governador consolida-se como ator central do processo.
Roberto Cidade e Saullo Vianna aparecem como opções viáveis para compor uma chapa majoritária, enquanto David Almeida enfrenta o desafio de reorganizar sua base política em um cenário cada vez mais dinâmico e competitivo.
*Fonte menezesvirtualeye
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