16/01/2026
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Manaus lidera ranking de combustíveis mais caros do país em 2026, aponta ANP

Manaus lidera ranking de combustíveis mais caros do país
Foto reprodução

A primeira semana de 2026 começou pesando no bolso de quem depende do carro em Manaus. Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) apontam a capital amazonense como a líder nacional no preço dos combustíveis entre todas as capitais brasileiras, e com folga.

O levantamento, realizado entre os dias 4 e 10 de janeiro, mostra que tanto a gasolina comum quanto o etanol ultrapassaram os R$ 7 por litro em alguns postos, configurando o pior cenário do país para abastecimento no início do ano.

Gasolina dispara e mantém Manaus no topo

O litro da gasolina comum custou, em média, R$ 7,09 na capital amazonense.
É o valor mais alto entre as capitais monitoradas pela ANP.

O ranking das mais caras é dominado pela Região Norte:

  • Manaus – R$ 7,09
  • Boa Vista – R$ 6,98
  • Rio Branco – R$ 6,94
  • Belém – R$ 6,89
  • Porto Velho – R$ 6,85

No extremo oposto, Vitória (ES) registrou média de R$ 6,31, quase R$ 0,80 mais barata por litro.

Para motoristas manauaras, a diferença pesa na quilometragem: quem roda 50 litros por semana paga, em média, R$ 40 a mais do que um motorista capixaba para encher o tanque.

Etanol deixa de ser alternativa e vira prejuízo

O etanol hidratado também rompeu o patamar psicológico de preço alto.
Na capital amazonense, o litro chegou a R$ 6,29, novamente o maior valor do país.

O ranking segue praticamente o mesmo da gasolina:

  • Rio Branco – R$ 6,09
  • Boa Vista – R$ 5,99
  • Belém – R$ 5,85
  • Porto Velho – R$ 5,79

A comparação com capitais do Sudeste impressiona: em algumas cidades, o litro cai para R$ 4,30, diferença de quase R$ 2.

Na prática, abastecer com etanol não compensa em Manaus, contrariando a lógica do carro flex e ampliando o gasto mensal com combustível.

Por que Manaus paga mais?

Especialistas apontam um conjunto de fatores que encarece o preço final:

  • Dependência de transporte fluvial e longas rotas de distribuição
  • Fretes sensíveis a variações climáticas
  • Custos logísticos maiores que no restante do país
  • Carga tributária estadual mais pesada aplicada sobre combustíveis

Mesmo com a volatilidade global do petróleo, o Amazonas tende a levar mais tempo para sentir queda — quando ela ocorre.

Investigação de cartel pressiona postos

O salto nos preços reacendeu uma discussão antiga: há combinação de preços no mercado local?

Para o Ministério Público do Amazonas, a dúvida motivou ação.
Em outubro do ano passado, o MPAM abriu 33 ações civis públicas contra postos suspeitos de cartelização, após dois anos de investigação conduzida pela 51ª Promotoria de Defesa do Consumidor.

O inquérito indica comportamentos típicos de cartel:

  • ajustes simultâneos de preços
  • valores praticamente idênticos em bairros distintos
  • ausência de variação competitiva

Os nomes das empresas não foram revelados, mas, se confirmada a prática, os envolvidos podem ter alvará cassado, pagar multas e responder civilmente.

Motorista fica sem saída no curto prazo

Entre investigação, logística cara e falta de concorrência real, quem sofre é o consumidor.

Motoristas relatam estratégias para driblar o impacto:

  • reduzir o uso diário do veículo
  • optar por transporte por aplicativo
  • dividir caronas
  • trocar provisoriamente o carro por moto ou bicicleta

Por ora, analistas consideram improvável uma queda significativa no curto prazo. A tendência é de preços estáveis em alta, com possível alívio apenas no segundo trimestre, caso o mercado internacional e as condições logísticas colaborem.


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