Em um movimento estratégico que mistura sobrevivência política e retórica nacionalista, o líder venezuelano Nicolás Maduro intensificou, nesta primeira semana de 2026, uma narrativa de “vizinhança tóxica”. Ao afirmar categoricamente que a Venezuela é uma “vítima” da produção de cocaína colombiana, Maduro tenta desviar o foco das graves acusações de Washington que pesam sobre sua própria cúpula e, ao mesmo tempo, estende uma mão — ainda que trêmula — para uma possível negociação com Donald Trump.
Em entrevista à TeleSUR, Maduro não apenas negou a participação de seu governo no tráfico internacional, como descreveu um cenário quase utópico de combate às drogas em solo venezuelano. Ao citar o abate de centenas de aeronaves “estrangeiras” (leia-se: colombianas) e a neutralização de grupos criminosos como o Tren del Llano, o chavista buscou vender a imagem de que Caracas é o último bastião de ordem em uma região inundada pelo “pó colombiano”.
“Toda a cocaína que circula nesta região é produzida na Colômbia. Somos vítimas do tráfico de drogas colombiano há décadas”, disparou Maduro, tentando apagar o rótulo de “narcoestado” que os EUA tentam fixar na Venezuela.
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A tática de “jogar a culpa no vizinho” não é nova, mas ganha contornos críticos diante das recentes operações da CIA em território venezuelano. Com ataques confirmados a instalações portuárias e supostos laboratórios em Maracaibo, Maduro sente o cerco fechar. Ao culpar a Colômbia, ele tenta convencer a Casa Branca de que os ataques americanos estão atingindo, na verdade, resquícios da criminalidade colombiana que “invadiram” seu país, e não uma estrutura estatal de tráfico.
Essa estratégia de distanciamento também visa isolar Gustavo Petro. O presidente colombiano, que já foi um aliado ideológico importante, agora se vê em uma posição delicada: atacado por Trump como “líder do tráfico” e usado por Maduro como o “bode expiatório” para a produção de drogas.
O verdadeiro objetivo de Maduro ao culpar a Colômbia parece ser a criação de um terreno comum com Donald Trump. Ao sinalizar que está “pronto para negociar” um acordo de combate ao narcotráfico e abrir as portas para investimentos na área de energia (citando nominalmente a Chevron), Maduro propõe uma troca clara:
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