Primeira parcela do PAC Seleções viabiliza etapa técnica que antecede obras no maior símbolo cultural do Amazonas.
O Governo Federal repassou R$ 375 mil ao Governo do Amazonas para a elaboração do projeto de restauro do Teatro Amazonas, um dos patrimônios culturais mais emblemáticos do país. O recurso, transferido por meio do Ministério da Cultura e do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), corresponde à primeira parcela do PAC Seleções e marca o início da fase técnica que antecede as obras de recuperação do edifício histórico, localizado no Centro de Manaus.
O investimento será destinado à elaboração de um projeto detalhado de restauro, etapa considerada decisiva para garantir intervenções corretas e duradouras. Entre os elementos que serão contemplados estão a icônica cúpula revestida por cerâmicas esmaltadas, o pano de boca do palco e outras estruturas que integram o conjunto arquitetônico do teatro. Não é maquiagem: é cirurgia fina no patrimônio.
O anúncio foi feito pela superintendente do Iphan no Amazonas, Beatriz Calheiro, em vídeo publicado nas redes sociais nesta quarta-feira (31/12), data em que o Teatro Amazonas completou 129 anos de história. Segundo ela, o recurso foi transferido ainda em abril deste ano, reforçando que a fase atual é voltada exclusivamente à concepção técnica do projeto, condição obrigatória para o início das obras físicas.
De acordo com o Iphan, o projeto de restauro deverá prever ações especializadas de conservação, recomposição e proteção dos elementos afetados pelo desgaste natural do tempo. A proposta é preservar as características originais do edifício, evitando intervenções inadequadas que possam comprometer sua integridade histórica e artística.
Cúpula não está suja, está envelhecida
No vídeo, Beatriz Calheiro também tratou de um tema recorrente nas redes sociais: a aparência da cúpula do teatro. Segundo ela, ao contrário do que muitos pensam, a cúpula não está suja. O que existe é o desgaste natural da película protetora das cerâmicas esmaltadas, resultado de décadas de exposição ao clima amazônico.
“Não se trata de lavagem. O que a cúpula precisa é de restauro técnico e especializado, feito com base em estudos e critérios científicos”, explicou. Em outras palavras: mangueira não resolve, só piora.
A superintendente destacou que esse tipo de cuidado é fundamental para garantir a preservação do teatro a longo prazo. “Esse cuidado técnico é o que garante que o Teatro Amazonas siga vivo e protegido, como símbolo da nossa história e da nossa cultura. O restauro é uma ação que combina preservação, ciência e amor pelo patrimônio”, afirmou.
Patrimônio mundial em disputa
Além do restauro, o Teatro Amazonas está no centro de um processo ainda mais ambicioso. Junto com o Theatro da Paz, em Belém (PA), o edifício é candidato ao título de Patrimônio Mundial da Humanidade. O processo é conduzido pelo Iphan e deve se estender até meados de 2026.
Tombado pelo Iphan desde 1966, o Teatro Amazonas é reconhecido como uma das maiores obras do Ciclo da Borracha e um dos monumentos mais admirados do Brasil. Inaugurado em 1896, o espaço se tornou símbolo do período de riqueza econômica vivido pela região no final do século XIX, além de referência cultural e turística do Amazonas.
Com a liberação dos recursos e o avanço do projeto de restauro, o governo busca não apenas preservar um edifício histórico, mas assegurar que o teatro continue cumprindo seu papel como palco de grandes espetáculos e guardião da memória cultural amazônica. Patrimônio não se improvisa — se planeja, se cuida e se respeita.
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