03/02/2026
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Diretor do Banco Central compara fraude do Banco Master ao caso Cruzeiro do Sul, revelado no governo Dilma

Diretor do Banco Central compara fraude do Banco Master ao caso Cruzeiro do Sul
Foto Divulgação

O diretor de Fiscalização do Banco Central do Brasil, Ailton Aquino, afirmou que a fraude envolvendo o Banco Master guarda semelhanças com o escândalo do Banco Cruzeiro do Sul, descoberto em 2012, durante o governo da então presidente Dilma Rousseff (PT). A declaração foi dada durante acareação cujos vídeos tiveram o sigilo levantado nesta quinta-feira (29) por decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli.

Segundo Aquino, ambos os casos envolvem a criação de créditos fictícios. “O caso aqui em tela é muito similar ao do Cruzeiro do Sul. O Cruzeiro do Sul também gerou créditos inexistentes, e nós aplicamos técnicas de auditoria e identificamos casos concretos de emissão”, afirmou.

Fraude com CCBs e empresas intermediárias

A investigação aponta que o Banco Master, com o envolvimento das empresas Tirreno, The Pay e Cartos, emitiu Cédulas de Crédito Bancário (CCBs) com base em créditos inexistentes — o que a delegada responsável classificou como uma “fabricação de CCBs”.

Aquino explicou que, para burlar os sistemas de controle, os bancos envolvidos emitiam cédulas com valores ligeiramente abaixo de R$ 5 mil, limite a partir do qual o Banco Central recebia alertas automáticos. “No caso do Cruzeiro do Sul, tivemos que reduzir o valor da central de risco de cinco mil reais para duzentos reais, para dificultar a geração de crédito”, completou.

Prejuízo bilionário

Enquanto o caso do Cruzeiro do Sul causou um rombo de cerca de R$ 1,3 bilhão, a fraude do Banco Master é estimada em R$ 12 bilhões. Desse total, aproximadamente R$ 4 bilhões impactaram diretamente o Banco de Brasília (BRB), que adquiriu parte dos créditos fictícios.

Depoimentos e acareação

A divulgação dos vídeos da acareação atendeu a um pedido do próprio Banco Central. Participaram das audiências, conduzidas pela delegada da Polícia Federal Janaina Pereira Lima Palazzo, o diretor Ailton Aquino, o empresário Daniel Vorcaro (dono do Banco Master) e Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB.

Segundo os depoimentos, o Banco Central passou a receber relatórios diários sobre as carteiras da Tirreno apenas após questionamentos formais. Até então, as informações não eram prestadas de forma sistemática.

Discussão sobre medidas futuras

Durante a acareação, o ministro Toffoli questionou se o Banco Central pretende adotar outras medidas além da liquidação do Banco Master. O advogado de Aquino considerou a pergunta “vaga e especulativa”, mas o diretor respondeu, explicando que a comunicação ao Ministério Público foi uma obrigação legal.

“A comunicação feita ao Ministério Público é um dever de ofício. Tenho até cinco anos para instaurar um processo administrativo sancionador. Priorizamos a comunicação dos indícios ao MP, e o processo administrativo segue um curso próprio, na esfera administrativa”, esclareceu.

*Com informações gazetadopovo


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