sexta-feira, 19 de julho de 2024
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Criança de 7 anos é espancado até a morte após pegar lanche sem permissão na geladeira

 Uma criança de 7 anos morreu na madrugada dessa sexta-feira (23), depois de ter sido espancada por ter pegado comida na geladeira, em Guararema, de acordo com as informações iniciais da Polícia Militar. Lucas Henrique de Lima Franco Leão chegou a ser socorrido ao Hospital Luzia de Pinho Melo, em Mogi das Cruzes, mas não resistiu.

De acordo com a Polícia Militar, o pai adotivo da criança, Marcelo Bezerra Leão, confessou que bateu no menino porque ele pegou alimentos, e disse ainda que o agredia com frequência. A mãe, Margarete Franco Leão, também foi presa horas depois por omissão.

Caso será registrado na delegacia de Guararema — Foto: João Belarmino/ TV Diário
Caso será registrado na delegacia de Guararema — Foto: João Belarmino/ TV Diário

Ainda segundo a PM, o pai disse no hospital que o menino tinha caído da escada enquanto ia buscar alguma coisa para comer. Mas, depois, confessou o crime.

A polícia ainda informou que a médica que atendeu a criança disse que havia lesões antigas. O suspeito foi preso pela Polícia Militar e encaminhado para a delegacia de Guararema , onde o caso será registrado.

Pai e mãe presos

De acordo com o Cabo da Polícia Militar Gilmar Guedes, a equipe médica que atendeu a criança relatou que os ferimentos não condiziam com uma suposta queda da escada. Em seguida, esta informação foi repassada para a Polícia Civil, que solicitou a preservação do local até a chegada da perícia. Na sequência, a ocorrência foi encaminhada novamente para Guararema, sob responsabilidade da equipe do cabo. Ele afirmou que, após se contradizer, o pai do menino confessou o crime.

“Chegando pelo DP, deparamos com o Marcelo e eu fui questioná-lo sobre o que aconteceu, até para o nosso relatório policial. Juntamente com o meu parceiro, cabo Leonardo, fizemos várias perguntas pra ele. Nós percebemos que o Marcelo não conseguia reafirmar novas perguntas com as mesmas respostas. Ele caía em contradição e a gente ia perguntando de determinados hematomas, determinados ferimentos e ele não sabia responder, somente que ele havia caído da escada e estava tendo espasmos. A criança no pé da escada, no final da cozinha. Realizamos mais perguntas sobre a ocorrência, mais perguntas. Determinado momento, o Marcelo conseguiu se contradizer completamente. Foi onde nós percebemos que ele estava mentindo sobre isso. Foi quando ele confessou o crime”, explicou o cabo.

Para ele, as perguntas feitas para Marcelo com o objetivo de colher novas informações sobre a morte da criança foram determinantes para que o pai confessasse o crime.

“Ontem, por volta das 21h, o Marcelo, pra dar um corretivo na criança, ele começou a agredi-la dentro da casa. O Marcelo relatou que essa criança, quando foi adotada, veio com, posso dizer, manias, nas palavras de Marcelo. Que ela queria se alimentar a todo momento. No entanto, tem um relato de Marcelo que, quando ele foi chamado à escola, que essa criança escondia alguns pãezinhos na blusa pra trazer para os irmãos, porque eles foram adotados em três. Então, temos mais duas crianças mais novas, que tinham apenas sete anos. Dentro disso, o Marcelo começou a corrigir a criança e, nesse momento, ele foi perdendo o limite. E quando ele começou a desferir, daí ele mudou a versão de tapas para socos. Ele começou a desferir socos no tórax, no abdômen da criança, A criança teve um ferimento reativado na cabeça que já estava cicatrizando e esse ferimento foi novamente aberto. No entanto, pelo laudo, com a equipe profissional do hospital, ele falou novamente que esse ferimento foi aberto novamente. E foi quando ele percebeu que a criança não estava mais chorando. Quando a gente corrige uma criança, ela chora, por uma correção de um pai, de uma mãe. Mas ele já estava gemendo, estava entrando num outro estado, em que estava perdendo a lucidez. Foi nesse momento que ele trouxe até a Santa Casa de Guararema, onde foi devidamente atendido e encaminhado ao Luzia por mais recursos, até pra poder atendê-lo”.

Após ouvir o pai, os policiais militares buscaram ouvir a mãe para que ela contasse a versão dela dos fatos.

“A mãe estava em casa. Nós tomamos todo o cuidado pra fazer uma diligência policial pra que a gente conseguisse buscar a verdade real. Quando nos deslocamos novamente à casa, já com a confissão de Marcelo, que ele assumiu toda a agressão, tudo o que fez contra Lucas, nós fomos até a casa. Chegando na casa, fomos recebidos pela esposa, Margarete, e perguntamos pra ela. Nós utilizamos a COP, a câmera de vídeo da Polícia Militar, e nós gravamos toda a declaração do Marcelo e da Margarete. E a Margarete reafirmou, por diversas vezes, por diversas nossas perguntas, novamente, que a criança saiu do seu quarto, veio descendo as escadas, caiu e começou a ter espasmos. Perguntamos por diversas vezes, tivemos essa informação. Retornamos pra delegacia, demos ciência pro delegado e trouxemos a Margarete aqui. Diante desses fatos, demos voz de prisão novamente para Margarete, pela omissão, porque ela a todo momento sabia que Marcelo estava desferindo socos, estava batendo na criança, e ela foi conivente com a situação naquele momento. Então, ela não teve como falar ‘para, Marcelo’, alguma coisa nesse sentido”.

O cabo ainda informou que não há nenhum registro policial sobre qualquer tipo de agressão vinculada à família. Ele também explicou que o filho mais velho, de 15 anos, também foi encaminhado para a delegacia para contar o que testemunhou na última noite.

“Trouxemos ele e a Margarete porque, na hora que chegamos à residência, ele estava próximo. Nós percebemos também que, quando ele ia falar, a Margarete cortava ele, não deixava que ele falasse. Até pra gente entender que ali estava tendo algo combinado entre eles pra que fosse colocado novamente a escada como culpada da lesão”.

De acordo com o cabo, Marcelo e Margarete serão encaminhados à carceragem de Mogi das Cruzes, sendo que ela será direcionada à carceragem feminina.

“Eles são um casal bem atuante no município. Isso chamou a atenção. Muitas pessoas chegando e tendo conhecimento da ocorrência ficaram, assim, muito chocadas com o que aconteceu. Vai ser algo que vai ficar bem latente aqui no município”.

Com informações do G1. 

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