20/02/2026
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Conversas Revelam Rede de Informações Sigilosas e Pagamentos a Servidores no Amazonas

Conversas Revelam Rede de Informações Sigilosas
Foto reprodução

Conversas extraídas de celulares durante a Operação Erga Omnes — deflagrada pela Polícia Civil do Amazonas nesta sexta-feira (20) — revelam que investigados por integrar um núcleo político ligado a uma organização criminosa trocavam informações sobre pagamentos, processos judiciais e possíveis mandados de prisão.

As investigações apontam que a facção contava com a colaboração de servidores públicos atuando em diferentes esferas do poder, incluindo o Tribunal de Justiça do Amazonas, a Assembleia Legislativa e a Polícia Militar.

Segundo a polícia, as mensagens estavam no celular de Lucila Meireles Costa, presa em Teresina (PI). Os diálogos mostram registros de transferências via Pix e pedidos de consulta a processos sob sigilo. Em um dos trechos, Lucila envia comprovante de pagamento ao servidor Izaldir Moreno Barros, solicitando verificação sobre eventual mandado de prisão.

Outra conversa indica comunicação direta entre Lucila e Allan Kleber Bezerra Lima, apontado como líder do núcleo investigado e atualmente foragido.

Uso de igrejas como fachada

De acordo com o delegado Marcelo Martins, titular do 24º DIP, Allan se apresentava como evangélico e frequentava uma igreja no bairro Zumbi dos Palmares, na zona leste de Manaus. Em investigação anterior, ele teria usado o templo para ocultar drogas. As apurações indicam que espaços religiosos eram utilizados como forma de camuflagem para evitar ações policiais, e que outro investigado chegou a residir dentro de uma igreja.

Mandados e alvos da operação

A operação cumpriu 14 mandados de prisão, oito deles no Amazonas. Entre os investigados estão:

  • Izaldir Moreno Barros – servidor do TJAM, suspeito de receber pagamentos para repassar informações sigilosas.
  • Adriana Almeida Lima – ex-secretária de gabinete na ALE-AM, com transações milionárias identificadas em relatórios financeiros.
  • Anabela Cardoso Freitas – investigadora da Polícia Civil e ex-chefe de gabinete do prefeito, suspeita de movimentar cerca de R$ 1,5 milhão por meio de empresas de fachada.
  • Alcir Queiroga Teixeira Júnior – investigado por participação no esquema financeiro.
  • Josafá de Figueiredo Silva – ex-assessor parlamentar ligado à rede de influência.
  • Osimar Vieira Nascimento – policial militar preso por suspeita de envolvimento com o núcleo político.
  • Bruno Renato Gatinho Araújo – preso no Amazonas.
  • Ronilson Xisto Jordão – preso em Itacoatiara.

Segundo a polícia, o grupo movimentou cerca de R$ 70 milhões desde 2018, utilizando empresas de fachada nos setores de transporte e logística para adquirir drogas na Colômbia e enviá-las a Manaus, de onde eram distribuídas para outros estados.

A investigação também aponta que Lucila se apresentava como advogada sem registro na OAB e atuava como intermediária em pagamentos para obtenção de informações processuais.

Foragidos

Além de Allan Kleber, outros investigados seguem foragidos, entre eles Núbia Rafaela Silva de Oliveira, ex-assessora parlamentar em Manaus. Segundo a polícia, ela participava de conversas sobre repasses financeiros e monitoramento de processos de interesse da organização.

Os investigados podem responder por organização criminosa, associação para o tráfico, corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional, lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio.

Reações institucionais

  • Defesa de Anabela Cardoso Freitas: afirma que ela não possui relação com organizações criminosas e destaca sua idoneidade como servidora concursada.
  • Tribunal de Justiça do Amazonas: informou que adotou medidas administrativas em relação ao servidor citado e reforçou compromisso com legalidade e integridade.
  • Universidade do Estado do Amazonas: declarou que não se responsabiliza por atos de servidores fora do âmbito institucional e reafirmou compromisso com ética e legalidade.
  • Polícia Militar do Amazonas: informou que o cabo preso responderá na Justiça e em procedimento administrativo interno.
  • Prefeitura de Manaus: afirmou que não é alvo da operação e que eventuais servidores investigados responderão individualmente.
  • Câmara Municipal de Manaus: orientou que questionamentos sejam direcionados aos gabinetes dos vereadores onde os investigados atuaram.

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