O Código de Ética e Conduta do Banco Master, publicado em março de 2025 e atualmente sob escrutínio público, traz como autora indicada a advogada Ana Cláudia Consani de Moraes, cunhada do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. O documento foi elaborado no âmbito de um contrato firmado entre o banco e o escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados, pertencente à esposa do ministro, Viviane Barci de Moraes.
Contrato milionário e serviços prestados
O escritório foi contratado para fornecer consultoria jurídica e serviços de compliance ao Banco Master entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025. Durante os 22 meses de vigência, a instituição financeira desembolsou cerca de R$ 80,2 milhões pelo pacote de serviços, que incluía a elaboração do novo Código de Ética.
O contrato previa inicialmente até 36 meses de duração, mas foi encerrado após o agravamento da crise interna do banco e a prisão de seu fundador, Daniel Vorcaro, em 2025.
Documento apresenta erros e inconsistências
Reportagens que analisaram o material identificaram falhas de revisão e trechos considerados incompatíveis com boas práticas de governança corporativa. Em um dos pontos mais criticados, o texto afirma que o colaborador “não deve impedir” o uso de informações inverídicas ou negociações fraudulentas — o oposto do que se espera de um código de conduta.
Outro trecho problemático traz a expressão “texto do seu parágrafo”, indicando que instruções internas de edição teriam sido publicadas sem revisão final.
As inconsistências chamaram atenção devido ao valor elevado do contrato e ao papel central do documento na política de integridade da instituição.
Banco Master no centro de investigação nacional
O Banco Master tornou-se alvo de uma das maiores investigações financeiras já conduzidas no país. Suspeitas de fraudes em operações de crédito, manipulação de mercado e lavagem de dinheiro levaram o Banco Central a decretar a liquidação da instituição em 2025.
A Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, resultou na prisão do fundador Daniel Vorcaro e na apreensão de documentos que agora integram o inquérito. As autoridades investigam movimentações bilionárias e possíveis conexões com figuras do meio político e jurídico.
Família de ministro não é alvo formal
Apesar da repercussão, não há acusações formais contra familiares do ministro Alexandre de Moraes. Em nota, o escritório Barci de Moraes afirmou que prestou serviços dentro das atividades profissionais contratadas e que a elaboração do Código de Ética seguiu o escopo previsto.
O caso segue em investigação, e novos desdobramentos são aguardados pelas autoridades e pelo mercado financeiro
*Fonte ampost
Descubra mais sobre Manaustime
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.
