A Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira (10) o Projeto de Lei 2942/2024, que amplia mecanismos de proteção para mulheres vítimas de violência doméstica. A proposta autoriza a Justiça a determinar o uso imediato de tornozeleira eletrônica por agressores quando houver risco atual ou iminente à vida ou à integridade física ou psicológica da vítima.
O texto, apresentado pelos deputados Fernanda Melchionna e Marcos Tavares, foi aprovado com alterações feitas pela relatora, deputada Delegada Ione.
Monitoramento será regra em casos de alto risco
A proposta estabelece que o monitoramento eletrônico passe a ser obrigatório nos casos classificados como de alto risco. A medida reforça dispositivos da Lei Maria da Penha, considerada a principal legislação de combate à violência doméstica no país.
O uso da tornozeleira também terá prioridade quando o agressor descumprir medidas protetivas já impostas pela Justiça. Caso o juiz decida retirar o monitoramento, deverá apresentar justificativa formal.
Delegado poderá autorizar tornozeleira em cidades sem comarca
O projeto prevê ainda mudanças para municípios pequenos. Em cidades que não possuem comarca, o delegado de polícia poderá determinar o uso imediato da tornozeleira para proteger a vítima. A decisão deverá ser comunicada ao Ministério Público e ao Judiciário em até 24 horas.
Vítima receberá dispositivo de alerta
Outro ponto do texto prevê que a mulher vítima de violência receba um dispositivo portátil de rastreamento. O aparelho emitirá alerta automático caso o agressor se aproxime de áreas proibidas por decisão judicial. O aviso será enviado simultaneamente à vítima e à polícia.
Punições mais duras para descumprimento
O projeto aumenta a pena para quem descumprir medidas protetivas. A reclusão, hoje de dois a cinco anos, poderá ser ampliada em até metade caso o agressor viole áreas de restrição ou remova a tornozeleira sem autorização.
Mais recursos para políticas de proteção
A proposta também amplia o percentual do Fundo Nacional de Segurança Pública destinado a ações de enfrentamento à violência contra a mulher, que passa de 5% para 6%, com prioridade para compra e manutenção de tornozeleiras e equipamentos de monitoramento.
Dados reforçam gravidade da violência
Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o Brasil registrou 1.568 feminicídios em 2025, aumento de 4,7% em relação ao ano anterior. O levantamento aponta que 13,1% das vítimas tinham medidas protetivas em vigor no momento do crime.
Projeto segue para o Senado
Com a aprovação na Câmara, o texto segue para análise do Senado Federal. Se aprovado sem mudanças, será encaminhado para sanção presidencial. Caso haja alterações, retornará para nova votação na Câmara.
Denúncias de violência contra a mulher podem ser feitas gratuitamente pelo Ligue 180, disponível 24 horas em todo o país.
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