02/03/2026
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Apagão de internet deixa 90 milhões de iranianos incomunicáveis após morte de Ali Khamenei e escalada militar

Foto: Redes Sociais
Foto: Redes Sociais

O Irã enfrenta um dos maiores bloqueios de internet de sua história recente. Desde sábado (28), cerca de 90 milhões de pessoas estão praticamente sem acesso à rede, em meio à intensificação do conflito após ataques coordenados dos Estados Unidos e Israel, que resultaram na morte do líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei.

A organização internacional NetBlocks confirmou que a conectividade caiu para menos de 1% do normal, deixando a população iraniana isolada digitalmente e sem meios de comunicação confiáveis. O bloqueio já dura mais de 48 horas e não há previsão de retorno.

Por que o apagão aconteceu

O corte de internet ocorre logo após o bombardeio que matou Khamenei, fato que desencadeou uma série de medidas de controle interno por parte do governo iraniano. O regime já utilizou bloqueios semelhantes em momentos de crise — como em 2019, 2022 e janeiro de 2026 — para limitar protestos e impedir a circulação de informações.

Segundo o NetBlocks, o objetivo é restringir a divulgação de incidentes, dificultar a mobilização popular e controlar narrativas em um momento de instabilidade extrema.

Escalada militar e número de vítimas

A interrupção digital coincide com uma onda de ataques e contra-ataques que ampliou a tensão no Oriente Médio:

  • No Irã, a mídia estatal relata ao menos 200 mortos e mais de 700 feridos após ofensivas americanas e israelenses.
  • Em Israel, bombardeios iranianos deixaram nove mortos e cerca de 20 feridos.
  • Nos Estados Unidos, três militares morreram após um ataque iraniano ao porta-aviões USS Abraham Lincoln, no Golfo Pérsico.

O presidente Donald Trump afirmou que “novas mortes são possíveis” e prometeu retaliar.

Ataques atingem vários países da região

As ofensivas iranianas já impactaram ao menos nove países, incluindo:

  • Bahrein
  • Catar
  • Kuwait
  • Emirados Árabes Unidos
  • Arábia Saudita
  • Iraque
  • Jordânia
  • Omã

Nos Emirados Árabes Unidos, três pessoas morreram; no Kuwait, uma vítima foi confirmada; e no Bahrein, destroços de míssil interceptado mataram um trabalhador.

Consequências do apagão digital

O bloqueio de internet aprofunda o impacto humanitário e político do conflito:

  • impede que cidadãos comuniquem-se com familiares dentro e fora do país;
  • dificulta o acesso a informações confiáveis sobre ataques e rotas de fuga;
  • limita a atuação de jornalistas e organizações de direitos humanos;
  • favorece o controle estatal sobre a narrativa dos acontecimentos;
  • aumenta o risco de violações de direitos humanos sem testemunho externo.

Especialistas alertam que a duração do apagão é imprevisível e pode se estender por semanas, como já ocorreu em bloqueios anteriores.


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