Postura da cantora contrasta com a prática comum em municípios do interior do Amazonas
A cantora Anitta recusou uma proposta para ser a principal atração de uma festa de fim de ano após descobrir que o cachê seria pago com verba pública. A decisão, confirmada pela equipe da artista, reacendeu o debate sobre o uso de recursos municipais para bancar cachês milionários no Amazonas, onde prefeituras continuam investindo pesado em shows apesar das limitações orçamentárias e das cobranças de órgãos de controle.
Segundo Iracy, Anitta mantém uma postura rígida em relação a recursos governamentais.
“Ela tem restrições quanto ao uso de dinheiro público. Não faz shows para prefeituras que pagam dessa forma”, afirmou. “Acho até nobre da parte dela, porque defende um princípio e se mantém nele.”
A prefeitura chegou a buscar alternativas para viabilizar o show.
Mesmo assim, o modelo previsto para a contratação criou um impasse.
Por isso, o nome da cantora foi retirado oficialmente da lista de atrações do evento municipal.
Em junho, Anitta já havia declarado que recusou propostas de prefeituras, algumas envolvendo até suspeitas de desvio de verbas.
Com a repercussão do caso em Natal, o Grupo Rodamoinho, que gerencia a carreira da artista, reforçou que todas as contratações com órgãos públicos seguem um padrão: a cantora só se apresenta quando a contratação é feita por empresas produtoras ou organizadoras habilitadas, licitadas e responsáveis pelo projeto.
Shows milionários no interior do AM
A postura de Anitta contrasta com o que ocorre em vários municípios do interior do Amazonas.
Em abril, o Ministério Público do Amazonas (MPAM) recomendou que o prefeito de Tefé, Nicson Marreira (União Brasil), cancelasse ou suspendesse os shows de Simone Mendes, Pablo e Marcynho Sensação durante a 22ª Festa da Castanha.
O objetivo era evitar que os cofres públicos arcassem com R$ 2,15 milhões em meio a restrições orçamentárias e aos efeitos da estiagem, que mantinha o município em situação de emergência.
Segundo a 2ª Promotoria de Justiça de Tefé, o valor poderia comprometer áreas essenciais como saúde, educação, saneamento e infraestrutura.
Mesmo com a recomendação, o evento foi realizado e reuniu mais de 100 mil pessoas.
Suspeita de sobrepreço
Outro caso investigado pelo MPAM envolve o cantor Zé Vaqueiro, contratado por R$ 600 mil para o 27° Festival de Praia de Boca do Acre.
O Ministério Público detectou sobrepreço de R$ 179.615,39 e entrou com ação civil pública para anular o contrato.
A investigação apontou falta de transparência da prefeitura: não houve licitação, contratos divulgados ou informações oficiais sobre gastos.
Após admitir a falha, a Procuradoria-Geral do Município informou que a festa custou R$ 1.300.060,00, bancados com recursos próprios — dos quais quase metade foi destinada ao artista.
Foram analisados 13 contratos de Zé Vaqueiro em diferentes estados. A média nacional de cachê é de R$ 420.384,61, bem abaixo do valor pago por Boca do Acre.
Mesmo assim, quatro dias antes do show, a Justiça do Amazonas autorizou a apresentação, entendendo que o contrato não compromete o orçamento municipal e considerando a logística para chegar ao local.]
*Fonte emtempo
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