20/10/2026
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PF pede mais prazo para investigar suspeitas envolvendo Lulinha

Lulinha visitou Planalto 18 vezes desde 2023 enquanto e investigado pela PF e1787181819952
Foto reprodução

Inquéritos apuram possível tráfico de influência em negócios relacionados à cannabis medicinal e à Dataprev.

A Polícia Federal pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) a prorrogação de dois inquéritos que investigam suspeitas de tráfico de influência e corrupção envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Os pedidos foram apresentados no dia 2 de outubro, quando terminou o prazo inicial de 60 dias concedido para as apurações. A PF argumenta que ainda existem diligências pendentes e solicita mais tempo para esclarecer os fatos investigados.

As investigações estão em andamento e, até o momento, não representam condenação ou comprovação de responsabilidade criminal. A defesa de Lulinha afirma que não existem provas de irregularidades e contesta a continuidade dos procedimentos.

PF pretende concluir novas diligências

Entre as providências solicitadas estão levantamentos sobre viagens nacionais e internacionais realizadas por Lulinha e pela empresária Roberta Luchsinger.

Os investigadores pretendem identificar quem pagou pelos deslocamentos e verificar eventuais relações entre as viagens, empresas privadas e negócios discutidos com integrantes do poder público.

A PF também pediu informações sobre movimentações bancárias, vínculos societários, agendas e possíveis reuniões realizadas em ministérios, empresas estatais e outros órgãos federais.

O pedido de prorrogação não significa que as suspeitas tenham sido confirmadas. A corporação afirma que as medidas são necessárias justamente para determinar se houve ou não atuação irregular.

Negócios com cannabis medicinal são investigados

Um dos inquéritos apura uma possível tentativa de intermediação de negócios relacionados à comercialização de medicamentos à base de cannabis junto ao Ministério da Saúde.

A investigação analisa mensagens, viagens e contatos atribuídos aos envolvidos. Entre os elementos examinados está uma viagem realizada por Lulinha a Portugal para conhecer uma fábrica de produtos derivados de cannabis medicinal.

A defesa afirma que a viagem ocorreu a convite do empresário Antônio Carlos Camilo Antunes e que não resultou em contrato, pagamento ou participação de Lulinha em negócios com o governo federal.

Outra apuração envolve a Dataprev

O segundo inquérito busca esclarecer uma possível atuação de Lulinha em favor de interesses empresariais relacionados à Dataprev, empresa pública de tecnologia vinculada ao governo federal.

A investigação foi aberta por determinação do ministro André Mendonça, após solicitação da Polícia Federal. A suspeita analisada é de possível tráfico de influência em negociações envolvendo uma empresa e contratos com a estatal.

Os investigadores querem verificar se relações pessoais foram utilizadas para facilitar contatos ou favorecer interesses privados dentro da administração pública.

Pedidos aguardam decisão do STF

Os requerimentos de prorrogação foram dirigidos ao ministro André Mendonça, relator dos dois inquéritos.

Os processos, entretanto, permaneciam na Presidência do STF, sob responsabilidade do ministro Edson Fachin. Até a última atualização, não havia decisão sobre a concessão de mais prazo para as investigações.

Caso a prorrogação seja autorizada, a Polícia Federal poderá prosseguir com as diligências antes de apresentar um relatório sobre os elementos encontrados.

Defesa fala em ausência de provas

O advogado Marco Aurélio de Carvalho, responsável pela defesa de Lulinha, afirma que não existem provas que justifiquem a continuidade dos inquéritos.

A defesa classificou as diligências como uma “pesca probatória”, expressão utilizada para questionar investigações que, na avaliação dos advogados, buscam elementos sem uma base concreta previamente estabelecida.

A defesa de Roberta Luchsinger também se manifestou pelo arquivamento dos procedimentos. Caberá ao STF avaliar os argumentos apresentados pelas partes e decidir sobre os pedidos da Polícia Federal.


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