Imagens de satélite mostram camada cinza sobre a capital e parte do Amazonas.
Imagens captadas por satélites da Administração Nacional da Aeronáutica e do Espaço dos Estados Unidos (Nasa), nesta quarta (7) e quinta-feira (8), mostram Manaus e parte do Amazonas encobertas por uma extensa mancha cinza.
Segundo meteorologistas, a camada observada sobre a região é formada por fumaça. O registro ocorre no momento em que Manaus enfrenta uma forte piora da qualidade do ar, com o maior pico de partículas finas identificado na capital em 2026.
Durante a madrugada desta quinta-feira, uma das estações do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), registrou concentração de 490,1 microgramas de partículas finas PM2,5 por metro cúbico de ar.
Fumaça aparece nas imagens de satélite
Os registros podem ser consultados na plataforma Nasa Worldview, serviço que reúne imagens produzidas por diferentes satélites e permite acompanhar alterações na superfície terrestre.
As imagens mostram uma extensa camada acinzentada sobre parte da Região Norte. A fumaça reduz a visibilidade da vegetação e encobre diferentes áreas do Amazonas, incluindo Manaus e municípios próximos.
De acordo com o meteorologista Willy Hagi, parte da camada também aparece sobre o Pará e avança em direção ao território amazonense. O especialista ressalta, entretanto, que as imagens isoladamente não permitem concluir que a fumaça presente em Manaus tenha origem no estado vizinho.
A avaliação é que uma parcela significativa da poluição que atingiu a capital provavelmente tenha sido produzida por queimadas e incêndios registrados em regiões mais próximas da cidade.
Manaus registra pior marca de 2026
Desde a noite de quarta-feira, a concentração de poluentes voltou a aumentar em Manaus. Durante a madrugada desta quinta, o Selva registrou 490,1 µg/m³ de PM2,5 em um dos pontos monitorados.
O valor representa um registro pontual feito por uma estação e pode variar conforme o bairro, o horário, a direção dos ventos e a proximidade de focos de incêndio. Ainda assim, o dado evidencia a gravidade do episódio enfrentado pela cidade.
Até então, o maior pico de 2026 havia sido registrado em setembro, quando a concentração alcançou 286,2 µg/m³. A nova marca é aproximadamente 71% superior.
Nas primeiras horas da manhã desta quinta-feira, outros pontos de monitoramento também apresentaram níveis elevados, com registros de 485,1 µg/m³, 393,1 µg/m³, 354,3 µg/m³ e 341,4 µg/m³.
Partículas finas representam risco à saúde
As partículas PM2,5 possuem diâmetro inferior a 2,5 micrômetros e são pequenas o suficiente para penetrar profundamente no sistema respiratório. Dependendo da intensidade e do tempo de exposição, elas podem alcançar a corrente sanguínea.
A classificação utilizada no monitoramento considera péssima a qualidade do ar quando a concentração de PM2,5 ultrapassa 125 µg/m³. O pico de 490,1 µg/m³ ficou muito acima desse limite.
Os parâmetros nacionais estabelecidos pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente também indicam que, nos níveis mais graves de poluição, toda a população pode enfrentar riscos de manifestações de doenças respiratórias e cardiovasculares. Crianças, idosos e pessoas com doenças cardíacas ou respiratórias são mais vulneráveis.
Entre os sintomas que podem surgir estão:
- tosse seca;
- ardência nos olhos;
- irritação no nariz e na garganta;
- dor de cabeça;
- cansaço;
- falta de ar;
- respiração ofegante;
- agravamento de crises de asma e outras doenças respiratórias.
Amazonas acumula quase 7 mil focos de calor
Entre 1º de janeiro e 7 de outubro de 2026, o Amazonas registrou 6.901 focos de calor, conforme o Panorama de Focos de Calor da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema).
Os focos são pontos de temperatura elevada identificados por satélites. Eles funcionam como indicadores da presença de fogo, mas não representam necessariamente a quantidade individual de incêndios nem permitem medir, sozinhos, a extensão das áreas queimadas.
Os municípios com maior quantidade de registros no período são Apuí, Novo Aripuanã, Lábrea, Autazes e Boca do Acre.
Somente entre os dias 1º e 7 de outubro, o satélite de referência utilizado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) detectou 644 focos no Amazonas, contra 277 no mesmo intervalo de 2025. O crescimento foi de 132,5%.
População deve reduzir exposição à fumaça
Enquanto a qualidade do ar permanecer comprometida, a recomendação é evitar exercícios físicos e trabalhos pesados ao ar livre, principalmente nos horários de maior concentração de fumaça.
Portas e janelas devem permanecer fechadas quando houver grande quantidade de poluentes no ambiente externo. Também é importante aumentar a ingestão de água e, se possível, utilizar umidificadores ou recipientes com água dentro dos cômodos.
Caso seja necessário sair de casa, máscaras do tipo PFF2 ou N95 oferecem proteção mais adequada contra partículas finas. Máscaras de tecido e cirúrgicas possuem eficiência limitada para esse tipo de poluição.
Pessoas com falta de ar intensa, dor no peito, confusão mental, lábios arroxeados ou agravamento de doenças respiratórias devem procurar atendimento de urgência. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência pode ser acionado pelo número 192.
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