Mobilização reúne estudantes, professores e familiares em meio à pressão sobre o Orçamento de 2027
Estudantes do ensino médio levaram milhares de pessoas às ruas da França nesta terça-feira, 6, em uma nova jornada de protestos contra as condições das escolas. A mobilização ocorreu em mais de 40 cidades e reuniu jovens, professores, pais e outros apoiadores.
O Ministério do Interior contabilizou cerca de 260 mil manifestantes, enquanto as organizações estudantis estimaram até 450 mil participantes.
O movimento começou em setembro, na região de Paris, e se espalhou pelo país. Os estudantes reclamam da falta de professores, das salas superlotadas, das longas jornadas e das condições precárias de parte das instalações. Também há críticas à organização do sistema de orientação para o ensino superior.
Ontem, cerca de metade dos 3,7 mil colégios franceses enfrentou bloqueios ou interrupções. A mobilização ganhou apoio de professores, sindicatos e familiares.
Confrontos com a polícia na França

A jornada também foi marcada por confrontos em algumas cidades. A polícia utilizou gás lacrimogêneo e jatos d’água para dispersar manifestantes. Segundo o Ministério do Interior, 488 pessoas foram detidas apenas nesta terça-feira. Desde o início da mobilização, houve a detenção de mais de 6,5 mil pessoas.
Os confrontos deixaram centenas de feridos. Dados divulgados pelo governo apontam mais de 700 policiais machucados, além de 215 estudantes e 85 profissionais da educação. Um adolescente de 15 anos perdeu uma das mãos durante um episódio que envolveu uma granada. O caso provocou críticas de organizações internacionais e abriu investigações sobre a atuação das forças de segurança.
O primeiro-ministro Sébastien Lecornu reconheceu que as reivindicações dos estudantes são legítimas. O governo anunciou medidas para discutir questões como substituição de professores, manutenção dos prédios e organização do tempo escolar.
A crise ocorre enquanto o governo prepara o Orçamento de 2027. A França enfrenta forte pressão fiscal e elevado endividamento público. O cenário dificulta a ampliação dos gastos com educação justamente quando estudantes cobram mais recursos para as escolas.
Descubra mais sobre Manaustime
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.
