Precipitação foi registrada em alguns pontos da capital na noite desta quinta-feira (24).
Após dias de calor intenso, fumaça e incêndios em diferentes áreas, a chuva voltou a ser registrada em alguns pontos de Manaus na noite desta quinta-feira (24) e foi comemorada pela população.
Vídeos compartilhados nas redes sociais mostram moradores celebrando a mudança no tempo. Apesar do alívio momentâneo, a precipitação isolada ainda não representa o início do inverno amazônico.
Outubro e novembro são considerados meses de transição, quando as chuvas normalmente começam a aumentar. O período chuvoso costuma se consolidar em dezembro e se estender até maio.
Chuva traz alívio após dias de fumaça
A precipitação foi recebida com entusiasmo após Manaus enfrentar dias de intensa fumaça, temperaturas elevadas e qualidade do ar considerada ruim em diferentes regiões.
A chuva pode contribuir temporariamente para a redução das partículas suspensas na atmosfera, além de elevar a umidade e diminuir a sensação de calor.
O efeito, porém, depende da intensidade, da duração e da área atingida. Pancadas rápidas e isoladas não são suficientes para encerrar os incêndios nem eliminar toda a fumaça acumulada sobre a cidade.
Inverno amazônico começa entre novembro e dezembro
O chamado inverno amazônico não corresponde ao inverno astronômico, que ocorre entre junho e setembro no Hemisfério Sul. A expressão é utilizada popularmente para definir a época de maior ocorrência de chuvas na região.
Em Manaus, o período mais chuvoso acontece geralmente entre dezembro e maio. Outubro e novembro funcionam como meses de transição, quando as precipitações começam a aumentar gradualmente.
Por esse motivo, não existe uma data específica para a chegada do inverno amazônico. A tendência climatológica é de intensificação das chuvas durante novembro e consolidação do período chuvoso em dezembro.
A chuva registrada nesta quinta-feira, portanto, representa uma mudança pontual nas condições do tempo, mas ainda não confirma o início antecipado da estação mais chuvosa.
Transição pode ser mais lenta em 2026
Neste ano, a mudança entre o período seco e o chuvoso poderá ocorrer de maneira mais lenta e irregular.
O prognóstico elaborado conjuntamente pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), pelo Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC/Inpe) e pela Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) indica déficit de chuva em praticamente toda a Região Norte entre outubro e dezembro.
No norte e no leste do Amazonas, onde Manaus está localizada, o acumulado poderá ficar até 200 milímetros abaixo da média histórica.
As temperaturas também poderão permanecer até 2°C acima do normal em algumas áreas da região. O levantamento aponta ainda elevada probabilidade de manutenção de condições de El Niño muito forte durante o trimestre.
Risco de fumaça permanece até dezembro
A ocorrência de chuva não significa que Manaus ficará livre da fumaça nos próximos dias. A qualidade do ar depende da quantidade de incêndios, da direção dos ventos, das condições atmosféricas e da regularidade das precipitações.
Pancadas de chuva podem limpar temporariamente o ar, mas novos focos de incêndio e mudanças na circulação dos ventos são capazes de trazer novamente a fumaça para a capital.
A previsão climática indica que o risco de novos episódios continuará elevado durante outubro e novembro. Uma melhora mais consistente é esperada somente quando as chuvas do inverno amazônico se tornarem frequentes.
Até lá, a população deve acompanhar os alertas meteorológicos e os dados dos sistemas de monitoramento da qualidade do ar.
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