A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (24) a Operação Combustão, em uma investigação sobre possível desvio de recursos públicos, lavagem de dinheiro e financiamento eleitoral irregular no Amazonas. A Justiça Eleitoral determinou seis mandados de busca e apreensão e o bloqueio de R$ 17 milhões em bens e valores.
No centro da apuração estão recursos provenientes de contratos firmados pela Associação Amazonense de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental (AADESAM). Segundo a PF, as investigações apontam para um suposto esquema em que esses valores teriam circulado posteriormente entre pessoas físicas e jurídicas vinculadas aos fatos investigados.
A operação desta quinta-feira está relacionada a fatos das eleições de 2022, informação importante para diferenciá-la de outra investigação eleitoral recente envolvendo a AADESAM e a atual campanha estadual.
R$ 17 milhões bloqueados pela Justiça
Além das buscas, a Justiça Eleitoral decretou o bloqueio de R$ 17 milhões em bens e valores no âmbito da investigação.
A lista de possíveis crimes mencionada oficialmente pela Polícia Federal é extensa. De acordo com a corporação, os investigados poderão responder, conforme a responsabilidade individual que venha a ser demonstrada, por organização criminosa, peculato, lavagem de dinheiro, corrupção eleitoral e falsidade ideológica eleitoral.
Até o momento, a PF não divulgou oficialmente os nomes dos alvos da Operação Combustão. Também não foi anunciada prisão nesta fase da investigação.
AADESAM já estava sob os holofotes

A nova operação acontece em um momento em que a AADESAM já vinha sendo alvo de outra investigação eleitoral. No dia 3 de setembro, uma operação distinta apurou suspeitas relacionadas ao possível uso da estrutura pública em benefício eleitoral na atual disputa estadual. Essa apuração cita o governador e candidato à reeleição Roberto Cidade, o vice-governador Serafim Corrêa e o presidente da AADESAM, William Alexandre Silva de Abreu.
Naquela investigação, um relatório da PF registrou que um computador usado pelo setor de Recursos Humanos havia sido encaminhado para manutenção na manhã da diligência e posteriormente apresentado aos agentes como “corrompido”. O equipamento foi apreendido para perícia.
São, portanto, apurações que não devem ser confundidas: a Operação Combustão anunciada nesta quinta trata de suspeitas relacionadas às eleições de 2022, enquanto a investigação anterior envolve possíveis irregularidades eleitorais recentes na AADESAM.
Nova operação aumenta escrutínio sobre a AADESAM
Embora a Operação Combustão coloque novamente a AADESAM sob investigação federal, o comunicado oficial da PF não cita Roberto Cidade nominalmente entre os investigados da operação desta quinta-feira. Também não identifica publicamente quem teve os R$ 17 milhões em bens e valores bloqueados.
Esse ponto é essencial: a existência de contratos da AADESAM no centro da investigação não permite atribuir automaticamente ao governador responsabilidade pelos crimes investigados. Caberá à PF, ao Ministério Público e à Justiça Eleitoral estabelecer a participação individual de cada envolvido.
O que está oficialmente confirmado é que a Polícia Federal investiga um suposto esquema envolvendo recursos públicos provenientes de contratos da AADESAM, possível lavagem de capitais e financiamento eleitoral irregular; que seis buscas foram determinadas; e que a Justiça ordenou o bloqueio milionário.
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