Uma crise doméstica que parecia restrita a ofensas e conflitos familiares acabou se transformando em um caso complexo de possíveis fraudes documentais e previdenciárias. Após sete anos convivendo com interferências constantes da ex‑sogra, o contador M.C.S decidiu registrar na polícia as calúnias que vinha sofrendo — era chamado repetidamente de “pilantra”, “desonesto” e “safado”. Porém, ao tentar formalizar o Boletim de Ocorrência, uma simples consulta no sistema da delegacia mudou completamente o rumo da história: a investigada, de 55 anos, possuía três CPFs diferentes vinculados ao seu nome.
Esse achado levou o ex‑genro a aprofundar a investigação por conta própria, revelando falhas graves em documentos que deveriam ser invioláveis. A certidão de nascimento da mulher só foi emitida quando ela já tinha 18 anos, e o CPF surgiu anos depois. Ao comparar certidões de diferentes gerações, surgiram inconsistências ainda mais alarmantes: os pais registrados na certidão da mulher não são os mesmos que aparecem como avós maternos na certidão da filha — que também teve registro tardio. A mudança drástica de nomes sugere manipulação deliberada da árvore genealógica.
O ponto mais crítico, porém, envolve uma possível fraude biométrica. Prontuários do Instituto de Identificação mostram que as impressões digitais da investigada e de sua suposta irmã, R.O.L., são idênticas. Isso indica que a mesma pessoa pode ter emitido RGs válidos para duas identidades diferentes, criando um “fantasma civil” capaz de operar ilegalmente sem ser detectado.
A denúncia também aponta que essa estrutura de documentos duplicados teria um objetivo financeiro: o recebimento indevido do Benefício de Prestação Continuada (LOAS), alegando incapacidade mental. Com base nas inconsistências apresentadas, o ex‑genro solicita a abertura de Inquérito Policial para investigar estelionato contra o poder público, além da anulação de certidões, averbações e documentos escolares emitidos com base na identidade suspeita.
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