27/07/2026
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Ameaça de seca severa coloca economia do Amazonas em alerta e pode elevar custos da Zona Franca

Ameaça de seca severa coloca economia
Foto: divulgação

Projeções indicam risco elevado de estiagem, com impactos na logística, na indústria e no abastecimento da região.

A possibilidade de um El Niño mais intenso a partir do segundo semestre de 2026 acendeu o alerta entre empresários, especialistas e autoridades do Amazonas. As projeções do Serviço Geológico do Brasil (SGB) e da Defesa Civil do Amazonas indicam risco elevado de uma nova estiagem severa, cenário que pode comprometer a navegação nos rios e afetar diretamente a economia regional.

A preocupação ocorre porque aproximadamente 95% dos insumos destinados ao Polo Industrial de Manaus (PIM) e dos produtos fabricados na Zona Franca são transportados por vias fluviais. Qualquer redução no nível dos rios dificulta a logística e aumenta os custos das operações.

Quais setores da Zona Franca podem ser mais afetados

Os segmentos mais dependentes do transporte aquaviário são considerados os mais vulneráveis caso a estiagem se confirme.

Entre eles estão:

  • Indústria de ar-condicionado;
  • Fabricantes de motocicletas;
  • Setor de televisores e eletrônicos;
  • Empresas que dependem de importação de componentes via navegação de longo curso.

Segundo o coordenador da Comissão de Logística do Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam), Augusto César Barreto Rocha, empresas desses segmentos já reforçam estoques para evitar interrupções na produção.

Quanto a seca pode custar para o Amazonas

O histórico recente preocupa o setor produtivo.

Durante a estiagem de 2023, os custos extras enfrentados exclusivamente pela indústria da Zona Franca de Manaus foram estimados em R$ 1,4 bilhão.

Entre os principais impactos registrados estiveram:

  • cobrança da chamada “taxa seca” por armadores;
  • aumento do frete fluvial e marítimo;
  • operações extras de transbordo;
  • maior consumo de combustível;
  • elevação dos custos de armazenagem.

Caso os rios atinjam níveis críticos novamente, embarcações poderão reduzir a carga transportada ou realizar transbordos em portos intermediários, aumentando o tempo de entrega dos produtos.

O que as empresas estão fazendo para reduzir os prejuízos

Diante das projeções, parte das indústrias já adotou medidas preventivas.

As principais estratégias incluem:

  • antecipação das compras internacionais;
  • envio antecipado de componentes para Manaus;
  • formação de estoques estratégicos;
  • planejamento logístico para o período de vazante.

Empresas que utilizam balsas ou transporte rodoviário tendem a sofrer impactos menores em comparação às que dependem exclusivamente do transporte por contêineres nos rios amazônicos.

A BR-319 volta ao centro do debate

Sim. A possibilidade de uma nova estiagem reacendeu a discussão sobre a recuperação da BR-319, rodovia que liga Manaus a Porto Velho (RO).

Para o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), Antonio Silva, a estrada representa uma alternativa estratégica para reduzir o isolamento logístico do Amazonas.

Segundo ele, uma rodovia plenamente recuperada poderia reduzir o tempo de transporte entre Manaus e o restante do país de cerca de 28 a 30 dias para aproximadamente 3 a 5 dias, diminuindo a dependência exclusiva das hidrovias.

A pavimentação da BR-319, porém, continua sendo alvo de disputas judiciais relacionadas ao licenciamento ambiental.

A seca já está confirmada para este ano

Especialistas afirmam que o risco é considerado elevado, mas ainda depende da evolução das chuvas nos próximos meses.

De acordo com a meteorologista Andrea Ramos, a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) indica que o El Niño já está estabelecido, deve ganhar intensidade até o fim de 2026 e possui alta probabilidade de permanecer até o início de 2027.

Apesar disso, ela ressalta que ainda não é possível afirmar que a estiagem terá a mesma intensidade observada em 2023 ou 2024.

Outro fator considerado positivo é que o cenário hidrológico de 2026 começou em condições mais favoráveis, com níveis dos rios acima da média no início da vazante em Manaus.

Quais medidas o Governo do Amazonas está adotando

O Governo do Amazonas informou que mantém o monitoramento permanente da situação por meio do Comitê de Enfrentamento a Eventos Climáticos e Ambientais.

Entre as ações anunciadas estão:

  • acompanhamento dos boletins hidrológicos;
  • autorização ambiental para serviços de dragagem em trechos críticos das hidrovias federais;
  • planejamento de medidas emergenciais caso a estiagem se agrave;
  • preparação de assistência humanitária para municípios mais afetados.

Em situações de seca severa, comunidades ribeirinhas costumam enfrentar dificuldades no abastecimento de alimentos, medicamentos, combustíveis e acesso aos serviços públicos.


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