Monitoramento aponta queda média de dois centímetros por dia desde o início de julho.
O Rio Negro entrou em processo de vazante há mais de duas semanas em Manaus, conforme dados do Porto de Manaus.
O monitoramento mostra que o rio deixou de subir em 22 de junho, permaneceu estável até o início de julho e, desde o dia 3, passou a apresentar uma queda média diária de aproximadamente dois centímetros.
Até a última sexta-feira (10), o nível do rio já acumulava oito dias consecutivos de descida.
A vazante está dentro da normalidade?
Sim.
De acordo com o meteorologista Leonardo Vergasta, do Laboratório de Modelagem do Sistema Climático Terrestre da Universidade do Estado do Amazonas (LabClim-UEA), o comportamento do Rio Negro está dentro do esperado para esta época do ano.
Segundo o especialista, o processo de vazante também ocorre em outros grandes rios da Amazônia, como Solimões, Juruá, Purus, Madeira e Amazonas.
“A vazante já começou praticamente em toda a Bacia Amazônica. O Rio Negro, assim como os rios Solimões, Juruá, Purus, Madeira e Amazonas, já está em processo de descida, tudo dentro da normalidade, tudo descendo conforme tem que descer”, afirmou.
Há risco de impactos para comunidades e navegação?
Até o momento, não.
Segundo Leonardo Vergasta, todas as estações hidrológicas monitoradas permanecem dentro dos padrões considerados normais.
De acordo com o meteorologista, não há sinais de uma aceleração anormal da vazante que possa comprometer:
- A navegação nos rios;
- O abastecimento de comunidades;
- O transporte fluvial;
- A saúde pública;
- O acesso de populações ribeirinhas.
As oscilações observadas fazem parte do ciclo hidrológico natural da Amazônia.
O El Niño já influencia os níveis dos rios?
Ainda não.
Segundo o meteorologista, o fenômeno El Niño já começou, com intensidade entre fraca e moderada, mas seus principais efeitos sobre o Amazonas ainda não são percebidos.
A expectativa é que o fenômeno ganhe força entre o fim de setembro e o início de outubro.
Antes disso, os primeiros impactos devem aparecer entre o fim de agosto e o início de setembro, principalmente com:
- Aumento das temperaturas;
- Redução das chuvas;
- Intensificação gradual da vazante dos rios.
O Amazonas pode enfrentar uma seca histórica em 2026?
Segundo o LabClim-UEA, esse não é o cenário mais provável neste momento.
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Leonardo Vergasta explica que os estudos desenvolvidos pelo laboratório indicam condições mais favoráveis do que as observadas durante as secas históricas de 2023 e 2024.
O especialista ressalta, porém, que se tratam de cenários, e não de previsões definitivas.
“Os cenários elaborados pelo laboratório indicam que Manaus deve registrar uma vazante importante neste ano, mas é possível que não repita os recordes históricos observados em 2023 e 2024.”
Qual região da Amazônia preocupa mais neste momento?
Enquanto os rios do Amazonas permanecem dentro da normalidade, o Acre já apresenta sinais de estiagem mais severa.
Segundo o monitoramento do LabClim-UEA, a estação hidrológica de Brasiléia é, atualmente, a área de maior preocupação entre os pontos acompanhados na Amazônia, devido ao avanço da seca.
O período de vazante faz parte do ciclo natural dos rios amazônicos e influencia diretamente o transporte fluvial, o abastecimento de comunidades ribeirinhas, a pesca e diversas atividades econômicas do Amazonas. Após as secas históricas registradas em 2023 e 2024, o comportamento do Rio Negro passou a ser acompanhado com atenção redobrada por autoridades, pesquisadores e moradores da região. Embora o retorno do El Niño gere preocupação, especialistas afirmam que, até o momento, os indicadores hidrológicos permanecem dentro da normalidade.
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